|
A Europa esta em pânico com o que esta acontecendo na Franca.Alguns
europeus podem ate ter achado certa graça de acontecer isso
na Franca arrogante e altiva.Mas hoje a preocupação
é consigo mesmo.Não há pais europeu que neste
aspecto, de imigração, de pobreza de seus imigrantes,de
crescimento de população islâmica, de potencial
de explosão,que não seja também uma Franca.Desde
a rica Eslovênia, católica ate a medula, que após
a independência e com guerra na Bósnia, viu crescer
sua população islâmica que exige (não
pede) mesquita numa cidade de 300 mil habitantes que tem mais de
50 igrejas católica e 27 comunidades religiosas registradas,
até a Alemanha que tem 600 mil eleitores turcos decidindo
as eleicoes.
O velho continente teve mobilidade populacional nas ultimas decadas,que
não foi acompanhada sempre pela mobilidade social.Ou como
mostraram estes acontecimentos, talvez nunca.O problema de exploração
de mão de obra dos imigrantes,necessária dentro de
um modelo econômico e social que foi criado, não e
nova.O novo e que legalidade ou ilegalidade dos imigrantes, inclusive
milhares dos brasileiros que estão na Europa,criou condições
sub humanas de viver com baixa empregabilidade numa economia que
precisa ser competitiva e precisa também cada vez mais a
mão de obra qualificada.E esta vem dos paises do Leste Europeu,
e não da África e paises do Magreb e Mediterrâneo,onde
o acesso as escolas e nulo.
Na Europa existe uma nova realidade, uma nova sociedade,que ainda
não achou o seu modelo social.Mesmo segundas e terceiras
gerações dos emigrantes que por exemplo na Alemanha
se integraram ao mundo oficial e dos negócios com muito sucesso,são
considerados nestes paises imigrantes.As acontecimentos franceses
estão exigindo de um lado uma reflexão profunda da
Europa como sera a sua sociedade baseada numa misceginacao da raças
e convivência de crenças.O pânico e que todos
os paises tem problemas para resolver, veja os acontecimentos terroristas
na Inglaterra, e União Européia não mostrou
a forca política e nem a vontade de sua liderança,
para resolver.Este e o problema numero um da Europa neste século,
e ultimo a ser tratado pelos governos, burocracia e os políticos
de Bruxelas.
O consenso entre responsáveis e que os modelos econômicos
e de relacoes econômicas internacionais também devem
ser repensados.O fato de ser perdoada a divida dos paises mais pobres,
e um bom começo.Exigir maior transparência dos governos
dos paises pobres onde paises continuam pobres, gerando emigrantes,
e seus dirigentes com ricas contas no exterior,é indispensável
para a solução do problema.Ou seja o problema francês
se tornou um problema bem maior do que so um problema de um pais
onde inclusive os dois responsáveis diretos pela solucao,
primeiro ministro Villepin e o ministro do interior (policia)Sarkozy
estavam no inicio de crise mais preocupados em prejudicar um ao
outro para ganhar pontos na sucessão presidencial do que
resolver o problema. E faz crescer um outro perigo:políticas
ultra nacionalistas e grupos de direita,veja caso de LePen na Franca
e Haider na Áustria,que vão so piorar a situação.
Portanto continuamos perante um problema que tudo mundo viu, e ninguém
quis enxergar.E e um problema de extensões maiores do que
se imaginava na política internacional.
Neste assunto também e necessários refletir sobre
o Brasil.De um lado de integração dos imigrantes que
não deixaram de manter seus raízes,mas por outro lado
se tornaram brasileiros.Não há brasileiro de segunda
classe, como disse um jovem francês de origem africana para
os franceses não brancos nascidos na Franca,no sentido de
origem de nacionalidade ou origem..Mas, há no sentido econômico
social.Enquanto a imigração criou uma sociedade mais
forte, mais progressista,pode se dizer ate mais brasileira, não
resolveu as differencas sociais cada vez mais acentuadas inclusive
por fracasso das políticas governamentais há décadas.Certamente
devemos refletir na base desses acontecimentos franceses, que sociedade
temos nos no Brasil.Não so por medo de termos quebra quebra,
que alias acontece de vez em quando, mas pela responsabilidade que
temos com os segmentos mais pobres da sociedade.Talvez seria justo
dizer que já passou de hora, que o que enriqueceram podem
continuar ignorando o que se passa no resto da sociedade e so descobrindo
como fazer dos pobres mais mercado.Uma das formas e dizer aos governos
e exigir dos governos ações sociais factíveis
e fazer do desenvolvimento social a prioridade econômica.Mas,
não so falar, mas agir.A Franca não e ali, e aqui.Differente,
tropical, mas na essência a mesma.É aqui.
Stefan SALEJ
62 anos
ex Presidente da Federacao das Industrias de Minas Gerais
Professor visitante do curso de doutorado IPS Jozef Stefan, Ljubljana
|