T Mapa do site | Página inicial
   
Perfil | Opinião | Imprensa | Depoimentos

OPINIÃO

Artigo

  • É a educação, estúpido

1/8/2004

A frase adaptada de campanha presidencial americana falando da importância da economia, aplica-se com toda a rudez ao Brasil. Se quisermos construir uma sociedade mais eqüitativa e promover de fato o crescimento de renda, a nossa prioridade deve ser a educação. O assistencialismo social é necessário , mas é conjuntural tanto do ponto de vista regional como temporal. Muda em função dos desafios que o desenvolvimento traz, mas não é a base deste. É dar o peixe, mas não ensinar a pescar.

A comunidade empresarial brasileira tem instrumentos poderosos na sua mão para promover a educação. Os recursos gerados pelo sistema “S” (SEBRAE, SENAC, SESI, SENAI, SENAR, SESC, etc.) superam o orçamento do Ministério da Educação. Os resultados são visíveis através de gerações, os programas de alfabetização e melhoria de qualidade da educação pública através da parceria entre empresários e a escola pública, iniciada em Minas Gerais há dez anos, deram ótimos resultados.

O empresariado deve também ter a educação como prioridade social. Em todos os níveis. E agora chegou a discussão sobre a pós-graduação. A CAPES, organismo responsável há 50 anos pela coordenação das atividades de pós-graduação brasileira, esta preparando um plano de para o próximo decênio. De fato, a pós-graduação só vai funcionar bem se as creches e as escolas primárias funcionarem bem. Ou seja, se todo sistema educacional for eficaz.

Hoje em dia, apesar dos milhares de mestres e doutores já formados no Brasil, ainda chamamos de doutor qualquer gajo de gravata, em total desrespeito aos que tiveram que estudar em media mais de 20 anos para obter título de doutor e de fato comprovam ter mais conhecimento que a maioria dos mortais. O Brasil tem um dos mais eficazes sistemas de pós-graduação entre os paises em desenvolvimento, o que aliás se reflete na qualidade de ensino superior do país.

Mas até hoje a grande maioria dos pós-graduados ficou na universidade. Seja pública ou, mais recentemente, privada. O Brasil e um dos países com menor número de doutores e mestres (MBA não conta) nas atividades produtivas. Os inúmeros cursos de MBA que se espalharam de forma desordenada e desqualificada no pais não substituem os profissionais cuja titulação diz que são comprovadamente conhecedores de sua área e têm uma capacidade permanente de desenvolvimento e de estudos. Hoje, tanto para dirigir empresas como para, principalmente, manter empresas competitivas internacionalmente necessita-se não só de profissionais com mais experiência, mas principalmente profissionais com melhor base teórica para desenvolver a experiência e não fazerem das empresas seu experimento.

Que os exemplos do agro business sirvam como base, já que o sucesso só foi possível graças a uma plêiade de pós-graduados trabalhando duro. Outro setor que esta cheio de pós-graduados é o setor financeiro. E no final há mais pós-graduados no próprio governo do que no setor privado produtivo brasileiro. Sem falarmos no exemplo da Índia, que mudou seu modelo de desenvolvimento através de um maior número de pós-graduados. Ou alguém pensa que a China, citada como exemplo de desenvolvimento, não fez o mesmo?E outro sempre bem lembrado e bem sucedido exemplo é de Israel.

A oportunidade de repensar e participar do debate democrático do próximo plano de pós-gradação coordenado pela CAPES é agora. Ou continuaremos a chamar um engravatado de doutor e seremos a economia dos doutores que não o são, pouco competitiva, dependente de tecnologias e com notável sub- aproveitamento de nossa riqueza maior: o nosso potencial humano.

É a educação estúpido, sim.


Stefan Bogdan Salej
Membro do Conselho Superior da Capes
Membro do Conselho Diretor da Comissão Fullbright no Brasil
Empresário


 

 



voltar um passo topo pagina inicial
[ SALEJ | BANDEIRAS | E MAIS ]

www.salej.com.br ©2006 - Todos os direitos reservados.