- Agência fará a coordenação
A proposta que estamos apresentando, com lideranças
industriais das regiões Norte e Centro-Oeste, para a criação
da Agência Empresarial de Desenvolvimento Araguaia-Tocantins,
tem um objetivo muito claro: organizar uma coordenação
executiva com capacitação de alto nível para
tornar realidade o projeto de desenvolvimento de toda a região
abrangida pela hidrovia. Neste trabalho, estarão unindo esforços
os empreendedores, especialistas do governo e, principalmente, as
Federações de Indústrias da região.
A hidrovia é um fator e um vetor de desenvolvimento sustentável
regional e local de importância estratégica. Tão
importante que fica difícil compreender as opiniões
que confundem uma intervenção física no ambiente
com um resultado necessariamente de devastação e degradação
ambiental.
A experiência tem mostrado que é justamente a não
ocupação ordenada, em função de um propósito
econômico e social, que leva aos maiores danos ambientais.
A colocação da questão hidrovia versus meio
ambiente é uma falsa contradição. Assim como
não se pode dizer que o desenvolvimento – tão
essencial pra atender às demandas básicas da maioria
da nossa população – possa ser uma ameaça
à qualidade ambiental, um vetor de desenvolvimento como é
a hidrovia também não representa uma ameaça
em si. Na verdade, tudo depende do modelo de desenvolvimento que
se está adotando. Ou melhor, do que estamos chamando de desenvolvimento,
se é sustentável e assegura a qualidade de vida para
a população envolvida.
As hidrovias são de fundamental importância para o
Brasil. São um fator de racionalização das
nossas comunicações. Representam uma alternativa para
a opção que foi feita há décadas: o
sistema irracional e gerador de todo o tipo de distorção,
baseado no transporte rodoviário e em combustíveis
dos quais ainda somos dependentes, como o petróleo.
O perfil da Agência Empresarial vem de instituição
similar, que cuida de atrair investimento ao longo da hidrovia Tietê-Paraná
desde 1991. É uma organização privada, sem
fins lucrativos. Mas o melhor exemplo de hidrovia como fator de
desenvolvimento está fora do Brasil – o Tennessee Valley,
nos Estados Unidos. Antes escandalosamente miserável, a região
é hoje modelo norte-americano. A Tennessee Valley Authority
é atuante em muitos programas da região: da hidrovia
à energia, de programas agrícolas a industriais, entre
outros. Financia estudos, universidades e inúmeras pesquisas
e projetos científicos na área de meio ambiente. E
anuncia, com justificado orgulho, que, atualmente, circulam pela
hidrovia 34 mil barcas por ano, transportando mercadorias que, por
meio rodoviário, exigiriam a movimentação de
2 milhões de caminhões.
Se para eles, como nação, esse programa faz diferença,
em termos de economia de combustível, diminuição
de poluição, menos estradas, infra-estrutura viária,
por exemplo, o que dizer do nosso Brasil, onde, além das
distâncias continentais, temos tanta carência de recursos
para investimentos?
Não podemos esquecer que só preservação
ambiental também não garante qualidade de vida a ninguém,
nem sequer um futuro auspicioso para o planeta. A propósito,
vale a pena lembrar uma afirmação de Indira Gandhi,
em 1972, quando foi realizada em Estocolmo, na Suécia, a
Primeira Conferência Mundial de Meio Ambiente. Ela disse que
“o pior tipo de poluição que o planeta sofre
é a pobreza e a miséria”. Depois disso, a ONU
passou a chamar as suas conferências de “Meio Ambiente
e Desenvolvimento”. Principalmente para um país tão
cheio de desafios como o nosso, é preciso ter claro que,
se não existe desenvolvimento sem se cuidar da qualidade
ambiental, não existe futuro possível para o nosso
meio ambiente sem desenvolvimento. Cuidar para que esse desenvolvimento
sustentável seja conquistado será a missão
da Agência Empresarial de Desenvolvimento Araguaia-Tocantins.
O Liberal, 23/9/2001
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