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OPINIÃO

Artigo

  • A vida com quem for eleito

Os estrategistas empresariais estão debruçados sobre planos para o próximo ano. Ninguém fecha os números enquanto não forem fechadas as urnas neste domingo. A economia brasileira depende não apenas das políticas econômicas de governo, como também da política em si. E mais: as variáveis internas e externas, no plano macro, criam enormes dificuldades para um planejamento empresarial confiável em médio prazo.
As empresas não sobrevivem sem planejamento. Os acionistas querem respostas e lucros. Os executivos temem errar, porque erros podem resultar em mudança de direção e perda de cargos. E não há mais, como no passado, espaço para esperar o que vai acontecer e tempo para corrigir o que não deu certo. Quanto à conjuntura mundial, pouca gente no Brasil tem informações suficientes e base analítica sólida para fazer previsões. Parte dessa base está no governo, em especial no Itamaraty, e outra parte na universidade, em especial as do Rio e de São Paulo, além do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), do Rio. É hora de ouvir o que elas têm a dizer.
O fato é que até os novos eleitos começarem a funcionar estaremos em junho de 2003. E esse prazo pode ser maior, tanto no plano federal quanto em alguns estados, desorganizados financeiramente. Portanto, esperar em curto prazo notícias seguras sobre como será o Brasil após as eleições é ilusão.
O próximo ano será, na opinião de alguns analistas, um ano perdido. E as empresas podem perder um ano? Claro que não, mesmo porque elas não perdem sozinhas, perdem também outros atores econômicos e sociais, notadamente os trabalhadores.
Como enfrentar essa situação? Parte da resposta reside na consciência de que plano estratégico deve ser flexível. Adaptável a novos tempos e realidades, sejam elas políticas, econômicas ou sociais. Flexibilidade é o dogma.
Duas áreas serão fundamentais nesse cenário: produtividade e mercado. Não é só a redução de custos que vai contar, mas essencialmente o aumento de ingredientes tecnológicos nos produtos e processos. É preciso repensar, renovar, às vezes até renascer. E as inovações não são privilégio da área tecnológica. Elas podem até ser mais necessárias na produtividade e na área gerencial.
Nessas áreas será fundamental a ligação com a universidade. Não haverá tempo nem capital suficiente para trazer tecnologia do exterior. Temos que aproveitar mais, e urgentemente, a tecnologia e o capital intelectual disponível no país.
A questão do mercado é ainda mais forte. Como o mercado, em geral, não deve crescer, será fundamental manter o cliente. Talvez a guerra mais importante daqui em diante seja a do mercado. Isso cria espaço para conquistadores. Devem ocorrer fusões e compras de empresas, principalmente as de controle acionário brasileiro.
Não se pode também, evidentemente, desprezar a possibilidade de novas cargas tributárias no início do ano. Os cofres públicos estarão vazios.
Os cenários são, portanto, promissores. Excelentes para vencedores e corajosos.

Gazeta Mercantil, 4/10/2002

 




 

 



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