- Mercosul e/ou ALCA: perspectivas para a indústria
brasileira
A inserção internacional do Brasil
não é nova, ao contrário do que muitos pensam
e querem imputar ao país. O Brasil desde seu descobrimento
por um dos atuais membros da União Européia, Portugal,
foi um exportador. De pedras preciosas, de madeiras e de ouro. Posteriormente
de café, borracha, algodão e algumas iguarias, mais
produtos primários e sempre muitos produtos agrícolas.
E hoje exporta aproximadamente 70% de produtos manufaturados e semimanufaturados
e 30% de produtos agrícolas. Portanto, sempre se relacionou
com o mundo, seja como fornecedor seja como importador. Ou como
tomador de empréstimos ou receptor de capital internacional.
No seu livro South América, social, political and industrial,
publicado em 1903 em Nova Iorque, o autor Frank G. Carpenter trata
do enorme potencial de desenvolvimento do Brasil. E diz quanto ao
seu relacionamento com os Estados Unidos:
“The country seems to me to be in infancy of its development.
It will support some day hundred people, wher it now support one;
it will be one of the richest countries in the world and it will
pay to Uncle Sam to cultivate it and to insist tha the get rights
in it as one of the great world-traders”.
E continua na página 600 do seu livro: “Today the Germans,
on the other hand, are the best traders in South América”.
Portanto, se há cem anos o Brasil fazia parte dessa perspective
e de um mundo então globalizado de negócios, não
há nenhuma razão de não continuar a fazer parte
desse mundo hoje e estar envolvido profundamente em acordos comerciais
regionais e globais. A América Latina tenta a integração
comercial e econômica há muito tempo. A Aladi, Associação
Latino-Americana de Desenvolvimento, é um esforço
que, através de acordos bilaterais e de políticas
tarifárias, trouxe muitos benefícios à produção
local. O Mercosul não deixa de ser uma resposta à
iniciativa do Pacto Andino e à Iniciativa do Caribe. O Nafta
é uma realidade do continente americano, mas com um pé
firme na parte latino-americana. E a participação
da América Latina nas negociações multilaterais
foi sempre exemplar, sendo a hospedeira e participante dos encontros
(veja Rodada Uruguai no GATT).
A iniciativa do Mercosul é louvável e trouxe um novo
ritmo de desenvolvimento à região. Primeiro consolidou
a democracia, um bem às vezes raro na nossa região.
Depois criou oportunidades de melhor aproveitamento de recursos
naturais, em especial energéticos. Tirou do papel o gasoduto
Brasil – Bolívia, teceu a malha energética entre
Brasil – Paraguai e Argentina, e permitiu que o gás
da Argentina chegasse ao Brasil. Todos os países ficaram
mais ricos. Para onde a Bolívia venderia seu gás senão
para os países do Mercosul? Ou o Paraguai, a sua energia
elétrica? As populações desses países
ficaram em melhores condições de empregabilidade e
renda. O crescimento do comércio intra Mercosul, que cresceu
de 5,1 bilhões de dólares em 1991 para aproximadamente
18 bilhões de dólares em 2001, é um dos aspectos
importantes dessa união aduaneira. E isso representa aproximadamente
20% do comércio exterior desses países. Outro aspecto,
num mercado de 216 milhões de habitantes e de 907 bilhões
de dólares do Produto Interno Bruto, é a escala de
produção e de produtividade que as empresas ganham.
As empresas se tornam mais competitivas, porque se ampliou seu mercado.
Quando o chanceler brasileiro, professor Celso Lafer, diz que a
prioridade da política comercial brasileira é o Mercosul,
baseia-se na experiência positiva, que a diplomacia brasileira
com competência ofereceu como a alternativa aos agentes econômicos
na sua expansão de negócios. Solidificando-se a posição
do Mercosul, há em curso negociações multilaterais
no âmbito da Organização Mundial do Comércio
(Rodada Doha), ALCA e o acordo Mercosul – União Européia.
Nenhuma negociação exclui outra, e nenhuma negociação
só depende de outra negociação. Nenhuma negociação
é menos prioritária ou mais urgente do que a outra.
Elas não só se processam quase que simultaneamente,
como se entrelaçam nos seus interesses políticos e
econômicos. Portanto, o Brasil está jogando uma partida
de xadrez simultânea com vários jogadores, grãos
mestres internacionais, com cuidado para que os interesses nacionais
de uns não sejam o prejuízo dos outros.
Antes de examinarmos melhor as negociações em curso,
olharemos mais detalhadamente para a situação macro
e microeconômica da região e, em especial, do Brasil.
No campo macroeconômico e político, é fundamental
aceitar a proposta de redemocratização do continente,
com baixos índices de inflação, mas também
com baixos índices de crescimento. A América Latina
ainda não atingiu como um todo um ciclo virtuoso de desenvolvimento,
apesar de os chamados fundamentos macroeconômicos terem sido
cumpridos na maioria dos países.
Os processos de privatizações e de redesenho do papel
do Estado trouxeram novas oportunidades de investimentos externos,
ao mesmo tempo em que proporcionaram um nível de crescimento
um pouco mais aceitável, mas mesmo assim longe do desejável
ou necessário para que haja menos diferenças sociais
nos países do continente. De fato, o continente latino-americano
é essencialmente hoje um continente com indicadores sociais
baixos, com uma distribuição de renda muito desigual
(o que é muito característico, por exemplo, no Brasil),
com níveis ainda altos de desemprego e com uma grande necessidade
de investir, principalmente em educação.
Assim como há muita diferença dentro dos próprios
países, há enorme diferença entre os países.
Não se podem negar as enormes diferenças que existem
entre os Estados Unidos e o Canadá de um lado e todos os
demais países latino-americanos. Não são apenas
tamanhos diferentes. São culturas ocidentais diferentes e
estruturas industriais diferentes. Não há um indicador
econômico ou social comparável entre esses países.
Portanto, a realidade de se procurar formar um bloco comercial como
a ALCA é que nunca se tentou fazer uma união dos tão
desiguais. Não há nenhum outro acordo regional com
tanta diversidade e diferenças como o que se procura fazer
com o acordo da ALCA.
Será que esse acordo, porém, que marcha rapidamente
por vias diplomáticas, já não está caminhando
bem por vias econômicas? Os Estados Unidos vendem hoje para
o continente o mesmo valor que vendem para a Europa, ou seja, aproximadamente
100 bilhões de dólares. Eles lograram esse tento em
relativamente pouco espaço de tempo, e o México, por
exemplo, é hoje o segundo parceiro comercial norte-americano
no mundo. O Nafta, um acordo de três grandes menos o Brasil,
mudou totalmente a estrutura comercial e econômica da América
do Norte. E com essa experiência os Estados Unidos escolheram
o comércio internacional como a sua prioridade número
dois, depois da segurança.
O fato é que o comércio entre Estados Unidos e América
Latina é, com alguns problemas conjunturais, um comércio
lucrativo para as empresas norte-americanas. Elas têm tradição
de obterem não só lucros mais altos nessa região,
como também retornos melhores, sem falar na predominância
na área de serviços e produtos de alta tecnologia.
Esse é um continente onde as empresas americanas não
são recém chegadas em conseqüência de privatizações,
mas onde estão pelo menos desde o início do século
numa estratégia de liderança de mercado em disputa
com os europeus.
Senão, vejamos como, por exemplo, é a participação
do capital estrangeiro e das empresas nacionais no Brasil e, especificamente,
na indústria brasileira.
O estoque de investimentos estrangeiros em 2002 no Brasil era de
106 bilhões de dólares, dos quais os Estados Unidos
possuíam 26 bilhões de dólares e os investidores
dos países que formam a União Européia 56 bilhões
de dólares. Sendo que, desses países, a Espanha é
o segundo maior investidor individual após os Estados Unidos.
A Alemanha, segundo dados da Câmara Alemã de Indústria
e Comércio, possui um estoque de 19 bilhões de dólares
de investimentos no Brasil, gerando 250 mil empregos em 1.200 empresas.
A fundamental diferença entre as empresas alemãs no
Brasil e as de alguns outros países está no seu perfil.
Os investimentos alemães são essencialmente produtivos,
de longa data existentes no Brasil, e sofrem também com a
concorrência externa. Os investidores alemães não
aproveitaram a onda de privatizações para ampliarem
a sua presença no Brasil, e, certamente com o perfil existente,
têm posições sobre a integração,
sob a égide da ALCA, bem diferentes do que têm, por
exemplo, os investidores recém-chegados e oriundos essencialmente
da onda das privatizações.
Segundo os dados do Balanço Anual da Gazeta Mercantil, as
empresas estrangeiras no Brasil representavam 34% do total de faturamento
das empresas industriais e de serviços ou comerciais. Isto
num universo de 7.537 empresas. Mas se esse universo é reduzido
para cem maiores empresas, que representam 80% do faturamento, as
empresas de origem estrangeira representam 42% do total.
Nos setores bancários e de serviços financeiros, as
empresas, ou seja, os bancos estrangeiros, representam 23%do total
de ativos. Há alguns números que dizem que representam
30%. Mas a lucratividade dos bancos brasileiros foi, no ano 2001,
de apenas 11,60% sobre o patrimônio e o dos seus concorrentes
estrangeiros foi de 24,80%. E para melhor ilustração,
os juros médios no ano 2000 no Brasil foram de 18,75%. Comparando
a produtividade do setor de serviços financeiros de varejo
dos Estados Unidos com a do Brasil, a empresa de consultoria McKinsey
chegou à conclusão de que os brasileiros atingem,
apesar do altíssimo grau de uso de tecnologia de informação,
tão somente 30% de produtividade norte-americana.
Nas análises mais detalhadas da presença de empresas
estrangeiras no Brasil, verifica-se, por exemplo, que os investidores
espanhóis são de longe os únicos que estão
em todos os 27 estados brasileiros. Ou seja, que além de
dominarem o backbone da economia mais forte da América Latina,
que é São Paulo (telecomunicações e
bancos), não se intimidaram e disseminaram as empresas pelo
país como um todo.
Nas exportações brasileiras, as empresas estrangeiras
já tiveram historicamente uma participação
maior. No ano de 1997, participaram com 53,2% e, em 2000, com 47,6%.
Mas nas importações tiveram um percentual maior: em
1997, de 63,1% e, em 2000, de 65%.
Não devemos ignorar que, no conjunto da atuação
industrial e mercadológica, há empresas européias
que são fortes somente em alguns mercados. Ou seja, o nível
de globalização ou mundialização não
atingiu todas as empresas de todos os países de forma igual.
O óbvio se transforma em realidade comercial quando podemos
dizer que, entre os cinco maiores fabricantes de automóveis
mundiais presentes no Brasil, alguns não têm nenhuma
atuação no mercado norte-americano. Exemplo disso
são os franceses e italianos. A questão seguinte é:
quantas empresas espanholas e portuguesas, que enfrentam bem a concorrência
européia, estão aptas a concorrer com as empresas
americanas, que elas não enfrentam hoje em seus próprios
países? Mas também vale indagar: quantas empresas
americanas estão dispostas a investir para concorrer com
empresas européias? No final, o consumidor latino-americano
e sobretudo o brasileiro quer, como conseqüência da abertura
comercial, produtos de melhor qualidade à sua disposição.
Ele não aceita mais receber produtos obsoletos dos países
desenvolvidos.
Para que as indústrias possam atender a essa exigência,
precisam de condições para produzir. A condução
básica para o aumento de produtividade é a escala
de produção. Acordos comerciais regionais oferecem
essa escala. A ALCA se torna um mercado de 800 milhões de
pessoas e de 13 trilhões de dólares de Produto Interno
Bruto. A produtividade, em países desenvolvidos, cresceu
na última década 1,7% e, na América Latina,
tão somente 0,7%. A produtividade média da indústria
argentina antes da crise de 2002 era de 29% da produtividade americana.
Não há setor onde ela não possa crescer. No
Brasil, o setor siderúrgico atinge quase a produtividade
norte-americana, mas o setor de construção civil continua,
apesar de ser grande empregador, bem abaixo dos níveis norte-americanos.
Há muita preocupação nos países latino-americanos
com as reformas macroeconômicas. Com estabilidade e inflação.
São corretas essas preocupações e devem ser
mantidas políticas que permitam que a base econômica
seja sólida. Mas há um espaço aberto para melhoria
das políticas macroeconômicas. A luta a favor da produtividade,
não apenas do setor industrial, ou de serviços, é
fundamental. Produtividade deve ser a palavra-chave para que as
empresas possam ser competitivas. Essa produtividade deve também
atingir o setor público e, em especial, o de infra-estrutura.
O chamado “custo Brasil”, custo de fatores fora da empresa,
que onera sobremaneira as operações das empresas,
está diminuindo devagar demais para um mundo que exige competitividade
a cada segundo. As reformas fiscais e tributárias são
necessárias. Não se pode pensar em uma economia competitiva
sem reforma fiscal e sem reforma de legislação trabalhista.
As reformas feitas até agora representam passos importantes,
mas não suficientes para gerar novos empregos.
A tudo isso se devem somar a reforma de previdência social,
a melhoria da educação e da infra-estrutura. Os investimentos
no Brasil, para atingirem 50% da produtividade da economia americana,
seriam de mais de 500 bilhões de dólares nos próximos
cinco anos. E de nada vai adiantar investir esse dinheiro se não
forem implementadas as reformas mencionadas e indicadas no plano
microeconômico.
Portanto, as negociações, sejam com países
integrantes da ALCA, sejam com os países da União
Européia, só poderão ser bem sucedidas se houver
um projeto nacional de integração comercial. A diplomacia
brasileira, desde a primeira reunião da ALCA em Denver, nos
Estados Unidos, soube ativar outros atores sociais nas discussões
sobre o assunto. A reunião de Belo Horizonte dos Ministros
do Comércio dos países da ALCA teve nesse processo
de democratização seu ponto alto, com a presença
de representantes dos trabalhadores na delegação brasileira
e a formação da Coalizão empresarial. Essa
reunião dos empresários permite, inclusive através
de estudos técnicos adequados, uma participação
permanente e cooperativa nas negociações da ALCA.
Neste item é importante salientar que há um movimento
nacional sobre o assunto ALCA no Brasil. O Itamaraty, como chamamos
nosso Ministério de Relações Exteriores, saiu
em campo e está explicando para e discutindo com a sociedade
civil todo o processo. Criou-se não só um foro adequado
para essa discussão, chamado Senalca, como também,
na Câmara dos Deputados, formou-se recentemente um seminário
internacional sobre o assunto. Aliás, a comissão referente
à ALCA tem a sua origem na comissão especial para
o Mercosul.
As vertentes de negociação interna, se podemos dizer
assim, passam não só por um projeto nacional de integração
regional tipo ALCA, mas também pelos interesses das empresas
investidoras, sejam elas nacionais ou estrangeiras. Essas empresas
seguramente representam também os interesses dos seus respectivos
países. Não se pode pensar em uma integração
do modelo ALCA sem levar em consideração os interesses
dos países europeus que investiram 56 bilhões de dólares
no Brasil. Deve também estar claro que os interesses de 170
milhões de brasileiros prevalecem sobre os interesses tão
somente econômicos. Ou seja, como vamos unir os interesses
nacionais com os interesses empresariais? Como vamos promover uma
integração que não nos garante aumentar os
empregos? E não ó isso como a continuada empregabilidade
de pessoas?
Os desafios são enormes. O Mercosul foi o primeiro estágio
e a primeira escola de integração. As negociações
com União Européia, que estão andando a contento
e rápido, constituem o caminho natural para nos tornarmos
mais integrados a um mundo competitivo. E, na ALCA, teremos o primeiro
teste em 15 de janeiro de 2003, quando cada país terá
que apresentar sua lista de liberalização comercial
de produtos industriais, agrícolas, de serviços, investimentos
e compras governamentais. As prioridades de discussão do
setor industrial brasileiro na ALCA são medidas antidumping,
barreiras agrícolas e acesso aos mercados para produtos industriais.
No caso agrícola, o Brasil é competitivo e produtivo.
O recente Farm Bill dos Estados Unidos subsidia com 275 mil dólares
cada fazendeiro nos Estados Unidos e destina 73 bilhões de
dólares a mais para o setor agrícola do que no ano
passado. As medidas contra os produtores de aço do Brasil
mostram outra faceta da integração. Não há
dúvida alguma de que o processo da ALCA terá que criar
oportunidades de crescimento para todos os países e para
todos os cidadãos. Portanto, as medidas protecionistas devem
sempre estar dentro desse princípio, ou seja, o princípio
da proteção temporária para se ganhar competitividade.
Se a política, porém, for abrir mercados de outros
e fechar o nosso, o acordo será difícil, se não
impossível. As exportações agrícolas
da Argentina representam 52% do total de exportações
do país, da Bolívia 33%, do Chile 19%, da Colômbia
37%, do Uruguai 55%, do Equador 67%, do México 10%, do Haiti
30%, da República Dominicana 45%, de Honduras 77% e da Guatemala
64%, de acordo com os dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento.
A construção de uma aliança regional, seja
o Mercosul, seja a ALCA, pressupõe uma reorganização
do estado econômico e também de suas vertentes microeconômicas.
Para começar, requer uma postura diferente política
e econômica do maior parceiro no continente que são
os Estados Unidos, e aí está o caso da negociação
da Trade Promotion Authority, que não sai do papel, como
dos demais parceiros. As diferenças e desigualdades não
poderão continuar num processo de integração
regional como a ALCA. Até as atitudes políticas e
a concepção de administração do Estado
mudarem, o próprio conceito de democracia será reforçado
e cristalizado. Temas de segurança estarão ao lado
de temas como corrupção e lavagem de dinheiro. Os
Estados Unidos e os paraísos fiscais são grandes receptores
de recursos dos latino-americanos. Também os europeus recebem
esses recursos. No caso argentino, recentemente têm surgido
informações de que há cem bilhões de
dólares depositados no exterior. E os emigrantes latinos
mandam atualmente para suas casas, dos Estados Unidos, 18 bilhões
de dólares.
Mas é no campo microeconômico que, volto a insistir,
as reformas e negociações serão mais rápidas
e mais difíceis. Primeiro, especificamente no Brasil, não
há distinção constitucional entre empresas
de diferente origem de capital. Portanto, todas as empresas instaladas
no Brasil têm direito de participar e obrigação
constitucional de defender os interesses brasileiros. As empresas
terão que se entender no meio de suas instituições
empresariais e formar bem suas propostas de negociações.
A divergência tem que ser unânime, a convergência
pode ser divergente. O que vale para as negociações
gerais da ALCA, single undertaking, deve valer para as posições
empresariais perante os negociadores governamentais: nada está
decidido enquanto tudo não estiver decidido.
Os setores empresariais que acreditam que haverá convergência
regional terão que se organizar e também fazer sua
própria agenda de ampliação de mercados. Os
diplomatas e governos fazem sua parte, mas é o setor industrial
diversificado em capital, em interesses e nos objetivos, que deve
acreditar em integração regional. Ela não pode
ser, entretanto, uma integração através da
qual vamos comprar geladeiras e automóveis e seremos impedidos
de vender nossos produtos siderúrgicos ou até nossas
geladeiras.
A ALCA como o Mercosul são desafios em que temos que transformar
as diversidades em oportunidades. São processos inexoráveis
da história do nosso continente e dos nossos países.
Devem, porém, ser enfrentados, em especial a ALCA, dentro
do conceito apresentado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso,
construtor do Mercosul, no Quebec, por ocasião da reunião
dos presidentes americanos:
“Nosso objetivo deve ser o de uma Comunidade das Américas.
E comunidade pressupõe consciência de um destino comum
e, portanto, eliminação das assimetrias e garantia
de oportunidade para todos”.
O papel dos empresários não é só participar
das negociações comerciais, mas é o de construir
essa sociedade, essa Comunidade das Américas. É um
desafio, mas o jogo tem que ser ganha-ganha.
Cadernos Adenauer, Ano III, Nº 3, 2002
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