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OPINIÃO

Artigo

  • Sonegadores

O empresariado mineiro apoiou com idéias a ascensão do novo governador de Minas ao Palácio da Liberdade. Líderes empresariais se revezaram nesse apoio, não só recentemente, mas desde a candidatura do atual governador à presidência da Câmara dos Deputados. Não pediram nada em troca, endossando a confiança que o povo mineiro demonstrou ter no jovem, talentoso e eficiente político. Na formação da equipe de governo, o empresariado não exerceu seu direito democrático de sugerir nomes, muito menos tentou vetar alguém.
O empresariado mineiro, mais do que nunca, quer colaborar, investindo mais, produzindo mais, criando mais empregos e pagando mais impostos. Aliás, essa posição ficou clara não apenas durante a campanha, mas também depois dela. Faz patê de seus valores, de sua crença no crescimento de Minas e na capacidade do atual governo do Estado para promover o desenvolvimento.
Pagar imposto é obrigação de todos os cidadãos, assim como de todas as empresas. Não vejo dúvida sobre isso por parte do empresariado e acredito que também não exista por parte do governador Aécio Neves. Portanto, dizer aos empresários mineiros que agora terão que pagar o que devem e que o dinheiro é do povo é quase dizer que eles não sabiam disso. Mais: é esquecer que a grande maioria paga seus impostos em dia e que os sonegadores nunca foram estimulados ou bem vistos em nosso meio. Se há sonegadores, que sejam identificados e se aplique a lei, mas não se pode, indiscriminadamente, ameaçar toda a classe empresarial.
Minas Gerais ainda mantém sua posição de destaque na economia brasileira porque o empresariado confiou no Estado, investiu em produtividade e criou empregos. Aqui há empresas centenárias e exemplos de responsabilidade social para o país inteiro. O empresário mineiro é um patrimônio valioso deste Estado, assim como o seu povo. É um ativo econômico que poucas outras unidades da Federação possuem. Por isso, tem de ser preservado e estimulado, e não discriminado a priori.
Ser empresário, especialmente empresário mineiro, é algo do que nos devemos orgulhar muito, e isso não foi construído da noite para o dia. Faz parte da história de Minas e do Brasil. A existência no Estado de 47 clusters, assim como sua indústria siderúrgica, são exemplos edificantes de empreendedorismo e capacidade gerencial, a serem seguidos por todo o país.
A Secretaria Estadual da Fazenda tem bons técnicos. Não se ouvem, a respeito dela, casos de corrupção ou de malversação do dinheiro público. Foi bem dirigida e bem equipada ultimamente. Tem o melhor sistema de controle fiscal do Brasil, usando com eficiência a tecnologia da informação. Ela sabe de tudo e de todos, em toda parte do Estado. É um verdadeiro Big Brother.
Então, é só empregar o que já se tem e já se sabe, sem precisar ameaçar, xingar ou menosprezar o empresário. E utilizar inteligência para promover as desburocratizações e facilidades para se pagarem os impostos. Aproveitar as experiências da Receita Federal, que tem arrecadado cada vez mais, junto com a Receita Estadual, só pode dar certo.
Poderíamos, a propósito, perguntar se era o empresariado que administrava o caixa do Estado. Mas o que interessa é buscar os caminhos da eficiência, e não os da crítica. O crescimento se faz pela parceria e pelo diálogo, não pelo confronto ou menosprezo ao empresariado. Aliás, definitivamente cansado de ser a primeira vítima do desconhecimento da história, da geografia e da cultura de Minas Gerais, assim como das condições econômicas em que vivemos.
Portanto, viva o empresário mineiro e abaixo os sonegadores, corruptos e incompetentes, seja de que lado estiverem.
Diário do Comércio, 9/1/2003

 

 




 

 



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