- O empresário e a política
Em 2003, Salej escreveu um artigo, ainda inéditos,
em que expunha suas idéias a respeito dos empresários
na política. Segundo ele, muitos mineiros acreditam que o
exercício da política é uma das excelências
mais importantes, talvez mais que o exercício das atividades
empresariais. Trecho do artigo:
É difícil falar sobre esse tema para os que já
nasceram exercendo a política, que se encontra impregnada
na cultura mineira. Está claro, portanto, que vamos restringir
aqui nossos pensamentos e observações ao contexto
das relações da política com os empresários.
Vários autores definem o que é política e o
que é o empresário. O que faz o político e
o que faz o empresário. Com peculiar síntese, mestre
Aurélio define: “Política é ciência
dos fenômenos referentes ao Estado; sistema de regras respeitantes
à direção de negócios públicos;
arte de bem governar os povos”. Ele dá mais algumas
definições na mesma direção: o político
se relaciona com os negócios públicos, trata e se
ocupa da política; o empresário é responsável
pelo bom funcionamento da empresa, uma organização
econômica destinada à produção e venda
de mercadorias ou serviços, tendo em geral como o objetivo
o lucro.
Definições claras e simples, que não mudaram
ao longo do tempo. Mas é preciso salientar que a empresa
não pode ter como único objetivo o lucro. Vale recordar
o que disse Arie de Geus em The Living Company: a expectativa média
de sobrevivência de uma empresa na Europa e no Japão
é de apenas 12 anos e meio, e esse fracasso endêmico
é atribuído ao foco dos gestores no lucro e na linha
de produção, mais do que na comunidade humana que
constrói sua organização.
As definições do dicionário também esclarecem
que se trata de duas funções distintas – político
e empresário -, com objetivos e habilidades diferentes para
serem exercidas. Enquanto o político tem que cuidar do bem
público, o empresário precisa remunerar o capital.
Na maioria das empresas brasileiras, o empresário ou o executivo
principal estabelece os objetivos e traça as estratégias.
Seu resultado se mede pelo lucro ou pela remuneração
do capital. Ele muda o rumo de acordo com o mercado, tem o direito
de admitir e demitir. Comanda, de forma hierárquica, as ações
no âmbito da empresa.
Já o político tem no diálogo e na composição
política o seu maior trunfo. Enquanto um manda e desmanda,
exercendo forte liderança interna - e eventualmente externa
-, o outro tem que negociar e compor. Além disso, os objetivos
e as demandas públicas carecem, às vezes, de clareza,
que é cristalina no caso empresarial.
Portanto, são duas funções diferentes, duas
profissões e dois exercícios diferentes. É
perigoso pensar que o público tem o mesmo tratamento de privado,
e que privado é publico. Porém, muitos empresários
são políticos, muitos políticos são
empresários.
A coexistência dessas funções numa mesma pessoa
não é coisa nova. Ela faz parte do regime democrático
e do sistema capitalista. A participação dos empresários
na política é saudável para o capitalismo e
fortalece a democracia. Eles são atores políticos
importantes e fundamentais, inclusive como formadores de opinião,
pois são lideres nas suas empresas e na comunidade. Alguns
empresários se destacaram na política, como Vicente
Fox, atual presidente do México; Ross Perot, fundador do
Partido Reformista e ex-candidato presidencial nos EUA; Antônio
Ermírio de Moraes, ex-candidato a governador paulista e seu
pai, o ex-senador José Ermírio de Moraes; Barão
de Mauá, patrono da indústria brasileira; Sílvio
Berlusconi, primeiro-ministro italiano; e inúmeros outros,
inclusive em Minas Gerais.
(...) Existe um outro aspecto que precisa ser analisado: o empresário
que se transforma num político pode contar com o apoio inicial
dos colegas empresários e da sua entidade, mas não
se elege se não tiver também votos entre os eleitores
não empresários – e que são a maioria
absoluta do eleitorado. Esses eleitores esperam que ele defenda
os interesses públicos, ou seja, os interesses da maioria.
Esta dicotomia tem provocado migração dos empresários-políticos,
no momento da votação, para atender ao que interessa
à maioria da população, mas não ao empresariado.
O sistema eleitoral brasileiro é diferente do sistema distrital
americano, onde um deputado pode, no seu distrito, defender com
clareza os interesses dos trabalhadores e dos empresários,
ao mesmo tempo. É o que acontece, por exemplo, na disputa
política envolvendo a indústria do aço em Minessota
e Ohio e a produção de laranja na Flórida.
Entre outros aspectos, neste relacionamento política-empresa
e políticos-empresários está a questão
da predominância, no setor industrial brasileiro, de empresas
estrangeiras que requerem outro tipo de relacionamento. Há
também forte presença da economia informal e de pequenos
empresários que atuam na informalidade. Eles ficam à
margem de um debate que se apresenta de forma crescente nas empresas
organizadas, grandes e médias: a preocupação
com uma nova ordem social, com a responsabilidade social corporativa
baseada nos princípios de desenvolvimento sustentável.
A economia brasileira apresenta índices de marginalização
econômica assustadores e perigosos para a própria democracia.
Há um consenso de que mais de 50% do Produto Interno Bruto
vêm da economia informal. São milhões de pequenos
empresários empresarialmente analfabetos, que sobrevivem
sem recolher impostos, que estão marginalizados em todos
os sentidos e sem perspectiva de qualquer melhoria. Não é
uma exclusividade brasileira. Na Venezuela e Argentina, assistiu-se
recentemente a um verdadeiro lumpen empresariat a se manifestar
nas ruas das cidades, representando uma nova força social
e política à margem das organizações
existentes e conhecidas.
No Brasil, essa é uma força fácil de ser cooptada
e que não pode ser desprezada, principalmente diante da excessiva
urbanização do país. Mais de 80% da população
brasileira vivem nas cidades.
Há ainda dois aspectos importantes a serem considerados nas
relações dos empresários com a política.
Um é a dependência do governo. O empresariado é
um dependente, sob o ponto de vista fiscal e de políticas
públicas de negócios. Quem depende de Estado não
tem independência política. O relacionamento só
é equilibrado, se for equilibrada a relação
econômica.
Por outro lado, para se ter uma relação equilibrada,
em especial com o Poder Executivo (municipal, estadual ou federal),
é necessário que o empresariado tenha idéias
e objetivos claros. Que tenha uma agenda para seu município,
seu estado e seu país. Uma agenda amplamente cooperativa,
que soma com os demais atores sociais e políticos. Não
uma agenda de minoria econômica que se impõe à
maioria política.
Não se está defendendo aqui nenhuma utopia. Isso já
ocorreu em outros países. O exemplo mais notável é
o da Espanha, onde se logrou tanto o desenvolvimento político,
como o social e econômico. O empresariado pode pensar diferente
dos outros atores sociais e políticos, mas deve ser capaz
de negociar seus interesses e idéias - e não as impor
de forma antidemocrática. A democracia é o fundamento
do capitalismo e da economia de mercado.
Outro ponto é o financiamento das campanhas eleitorais. Esse
é um problema mal resolvido no mundo inteiro. São
freqüentes as notícias de governantes prestigiados que
se desmoralizam por causa de algum escândalo envolvendo o
financiamento de sua campanha. A experiência brasileira, nesta
questão, é bem conhecida e, sem dúvida, será
o ponto principal de reforma política a ser empreendida.
Ver os empresários somente como fonte de financiamento de
campanha – este é um erro que nenhum político
sério ou competente vai cometer. Quem tem como finalidade
o lucro não põe dinheiro onde, certamente, haverá
perda. Por outro lado, as entidades que representam compulsoriamente
os empresários, como os sindicatos e as federações,
são proibidas pela legislação de financiar
campanhas. Essas entidades podem oferecer benefícios políticos
de aglomeração empresarial, mas não podem dar
dinheiro. E aí vem a questão: pode-se eleger alguém,
sem dinheiro? Portanto, a questão que se repete a cada eleição
é a questão da própria democracia brasileira.
Não há sociedade democrática sem participação
política dos empresários. Claros devem ser os princípios
éticos, tanto dos empresários como dos políticos.
O diálogo e a participação ocorrem através
de entidades, que são políticas, mas não devem
ser partidárias, solidificadas nos princípios de democracia
interna. Ou através de indivíduos que se comprometem
a exercer as atividades políticas, sejam eles empresários
ou não.
Os problemas vêm, principalmente, da incapacidade empresarial
de negociar, com os demais segmentos da sociedade, as suas idéias
e seus interesses; de desconhecer os limites da ação
democrática; e de submissão aos governantes, para
benefício de pequenos grupos ou até de indivíduos.
A importância para a democracia da participação
dos empresários na política é maior do que
podem ser os interesses menores de alguns. Aliás, isso vale
para todos. A democracia não se faz sem participação.
Democracia é a participação. Inclusive dos
empresários.
Para que uma entidade empresarial possa cumprir eficientemente seu
papel de indutora do desenvolvimento, ela precisa pensar, constante
e conscientemente, no que fazer no ambiente de negócios e
no ambiente político. Uma das questões que se coloca
é o da globalização, que veio para ficar. O
processo de intercâmbio entre países será incrementado
e uma das atividades da entidade é buscar meios de ajudar
as empresas a viver, sobreviver e progredir neste ambiente.
Em agosto de 2003, num artigo ainda inédito, Salej explicou
mais uma vez o motivo de sua candidatura à presidência
da CNI:
Quando eu dirigia a FIEMG, Minas era o segundo Estado industrial
do país, com um projeto claro de desenvolvimento e com uma
entidade liderando uma série de iniciativas, em termos de
associativismo empresarial. Por isso, era de se esperar que o presidente
dessa entidade fosse candidato natural no processo de sucessão
dentro da CNI.
Eu fui instrumento de uma decisão política, do mesmo
modo que José Alencar, quando ele foi candidato a governador
de Minas e a senador. Não foi uma decisão baseada
em ambições pessoais, mas uma decisão coletiva.
Uma estratégia, para usar Minas como exemplo.
Deu certo, porque tivemos a oportunidade de mostrar ao Brasil inteiro
o trabalho que a FIEMG havia realizado. Nesse processo, ampliamos
mercados para a indústria mineira de forma fantástica,
tanto em termos de serviços, como de produtos. Levamos a
mensagem da indústria competitiva. Trouxemos dirigentes de
indústrias e de outras Federações de Indústrias
a Minas, para ampliar o mercado interno e fazer mais negócios.
Crescemos ao aprender o que estava sendo feito em outros estados,
como em Santa Catarina, que tinha uma experiência muito competente
na gestão de entidades e de projetos industriais.
O que não deu certo? Nossa campanha não foi vitoriosa.
E não foi, porque um grupo de empresários mineiros
preferiu reservar o cargo para si, esperando encontrar depois condições
políticas mais adequadas para fazer alianças. Eles
me sacrificaram no altar de suas futuras ambições.
Eu me recusei a fazer certos compromissos fisiológicos, que
eram necessários para levar a campanha adiante. Não
cedi à pressão para negociar loteamentos de cargos,
para fechar os votos das federações. Eu estava interessado
apenas em levar idéias. As idéias não receberam
um único voto, só os cargos é que receberam.
Mas isso foi uma opção pessoal, não posso me
queixar.
A presença de Minas na campanha valeu, porque foi uma campanha
de propostas, de modernização do sistema empresarial
brasileiro, que terá que ser feito, em qualquer circunstância.
Naquele momento, prevaleceu um grupo conservador da CNI, aliado
a um grupo conservador da economia mineira, num processo em que
eu tive o meu Joaquim Silvério dos Reis.
No dia 20 de fevereiro de 2002, enviei ao presidente da FIEMG, Robson
Braga de Andrade, um e-mail, informando: “Acabei de receber
por intermédio do Diretor Secretário da CNI a chapa
única que concorrerá às eleições
da referida entidade no próximo mês de junho. Com satisfação,
observei que V. S. ocupa o lugar de Vice Presidente e que o Sr.
Olavo Machado Jr. ocupa lugar de Diretor”.
Espero que a ironia contida nessa congratulação não
tenha passado despercebida... Uma semana antes, eu tinha escrito
ao presidente da FIEMG para pedir a convocação de
uma reunião, na qual seriam definidos, de forma democrática,
os nomes dos representantes de Minas na diretoria da CNI. Não
obtive resposta.
Nossa proposta para a CNI, frustrada por esses acordos de bastidores,
era de reestruturação da indústria brasileira
e de seu sistema associativo. A idéia era criar um projeto
Cresce Brasil. Ver quais os setores em que a indústria brasileira
era competitiva e as regiões e setores que teríamos
de desenvolver de forma igualitária. E ainda: estabelecer
uma maior solidariedade entre vários segmentos industriais
e regiões, buscar uma inserção mais competitiva,
não só através de negociações
internacionais, mas essencialmente através da criação
de condições para que a indústria brasileira
seja mais competitiva.
Também fazia parte da nossa proposta adotar uma postura política
independente em relação a qualquer governo que assumisse
o poder em 2003, para que pudéssemos adotar um diálogo
franco e claro, na defesa dos interesses do setor produtivo, no
lugar de uma postura de subserviência aos interesses do governo.
Em relação à CNI, a idéia era promover
uma integração maior entre o Sesi e o Senai, com foco
maior no mais importante, a educação. A Confederação
Nacional da Indústria seria o grande interlocutor político
do setor industrial, mas as políticas regionais de desenvolvimento
seriam lideradas, de forma descentralizada, pelas federações
das indústrias. Iríamos mostrar que somos capazes
de nos colocarmos à frente da sociedade e do desenvolvimento,
e não ficar esperando que o governo diga para onde devemos
ir.
Salej fez amigos, mas também fez muitos inimigos. Ele mesmo
reconhece que tem mais inimigos – e estes mais aguerridos
– do que amigos. Quando estava em campanha para a presidência
da CNI, ele despertou muita curiosidade da imprensa fora de Minas.
Em agosto de 2001, o Valor Econômico traçou um perfil
de Salej. Entre outras coisas, a repórter Ivana Moreira,
afirmou:
Salej é polêmico, desses que fala o que pensa. Não
por acaso, coleciona um bom número de inimigos. Em todas
as entidades por onde passou – da associação
de indústrias do município de Contagem ao Sebrae,
que presidiu antes da Fiemg – não falta gente ressentida
entre funcionários e colegas diretores.
“Se for preciso ele atropela meio mundo, mas faz o que mete
na cabeça”, diz um companheiro da Fiemg. Foi assim
quando abriu-se a possibilidade de o Brasil sediar o Encontro das
Américas, em 1997. Belo Horizonte não era a melhor
candidata em termos de infra-estrutura para sediar o evento. Mas
Salej conseguiu convencer os negociadores do projeto. “Belo
Horizonte não tinha mesmo nada, só a minha bicaria”.
Valor Econômico, 9/8/2001, “O polêmico Salej espera
vencer com folga na CNI”
Em abril de 2004, o jornalista Márcio Fagundes publicou a
seguinte nota em sua coluna diária no jornal Hoje em Dia:
Tem industrial mineiro falando pelos cafés da capital mineira
que anda com saudades do ex-presidente da Fiemg, Stefan Salej. No
tempo de esloveno, lembrou um deles, todos os anos um caminhão
do Sesi-MG estacionava nos pátios das indústrias.
E realizava exames ginecológicos nas funcionárias,
além de outros preventivos de câncer, assim como nas
mulheres de sua família. Um outro veículo, com toda
a parafernália odontológica, também cuidava
da boca de seus empregados anualmente. À frente desses serviços,
destacou, profissionais altamente qualificados. De uns tempos para
cá, ressalvou, tal procedimento assistencialista desapareceu
de sua fábrica. E em muitas outras...
Hoje em Dia, 14/4/2004, coluna de Márcio Fagundes
Em meados de 2001 veio a crise do racionamento de energia e, no
começo de junho, mais uma alta significativa na taxa de juros.
Salej foi entrevistado pelo repórter Gustavo Paul, de O Estado
de São Paulo. Destacou o jornal paulista:
A fórmula aprovada pelo Congresso para o pagamento da diferença
do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) expurgada
na época dos planos Verão e Collor 1 e o aumento de
juros anunciado pelo Banco Central terão efeitos mais nocivos
para a economia brasileira do que a crise de energia. Na opinião
do presidente da Federação das Indústrias de
Minas Gerais (Fiemg), o esloveno naturalizado brasileiro, Stefan
Bogdan Salej, o Banco Central não entendeu a principal lição
do período de racionamento. Ou seja, a sociedade seria capaz
de contornar o aumento da inflação, evitando assim
mais uma alta dos juros.
“Essa situação energética mostrou que
a sociedade brasileira é capaz de administrar situações
adversas”, disse Salej, dono da Tecnowatt, segunda maior empresa
de iluminação pública e industrial do País,
e uma das principais vozes do empresariado mineiro. “O Copom
(Comitê de Política Monetária do Banco Central)
não pode chegar e dizer que não confia que a sociedade
vá dar conta e então aumentar os juros”, afirmou
o empresário.
“A sociedade não funciona de forma matemática,
então é preciso ouvir e ver como as pessoas agem”.
Ele cita o apoio da sociedade na redução do consumo,
que deve evitar a ocorrência de apagões. A indústria
mineira, por exemplo, já estava alerta para a falta de energia,
implementou um plano de racionalização de energia.
O resultado foi crescimento de 7,5% no ano passado e um aumento
da demanda de energia de apenas a metade.
Salej, que é candidato à presidência da Confederação
Nacional da Indústria (CNI) nas eleições do
próximo ano, afirma que a transferência para o empresariado
da conta do pagamento da diferença do FGTS vai resultar em
aumento do desemprego. Pelo projeto aprovado semana passada, a maior
parte do dinheiro para repor as perdas, que chega a R$ 40 bilhões,
sairá da contribuição adicional de 0,5% sobre
a folha de salários, a ser pago pelas grandes e médias
empresas e da contribuição social de 10% sobre a mesma
base de cálculo da multa rescisória.
“O acréscimo do FGTS, justo ou não, demonstra
um aumento de custo e um retrocesso nas relações de
trabalho”, afirmou. Para ele, haverá um incremento
brutal do custo de mão de obra. “Posso dizer que o
pagamento do fundo vai gerar mais desemprego que a crise energética”,
avisa. Ele lamenta que nessa discussão sobre o pagamento
do fundo perdeu-se a oportunidade de realizar um debate sobre as
relações de trabalho no País. “Os congressistas
e o próprio governo levaram isso como uma questão
pontual”, disse.
O Estado de S. Paulo, 24/6/2001, pág. B3, “BC não
entendeu a sociedade, diz Salej”
Salej não se limitou a protestar pela imprensa contra a solução
encontrada para pagar a diferença do FGTS. Ele também
promoveu manifestações de empresários, de acordo
com esse relato da colunista Dora Kramer, do Jornal do Brasil, publicado
no dia 26 de março de 2001:
Hoje à tarde haverá panfletagem nos portões
de fábricas de Belo Horizonte contra o acordo anunciado pelo
governo federal para o pagamento da correção do FGTS
referente aos planos Collor I e Verão. O protesto passaria
em branco não fosse um detalhe: os folhetos serão
distribuídos por líderes empresariais comandados pelo
presidente da Federação das Indústrias do Estado
de Minas Gerais (FIEMG), Stefan Salej.
Intitulado “A verdade sobre o FGTS”, o folheto assinado
pela FIEMG acusa o governo de querer repartir a dívida de
R$ 40 bilhões entre empresas, que pagariam a maior parte
da conta, e os trabalhadores, que abririam mão de 15% do
que têm direito a receber. “Você concorda com
isso?”, pergunta o panfleto, acrescentando: “E você
acha certo pagar uma dívida que não é sua?”.
Dora Kramer, Jornal do Brasil, 26/3/2001, Coisas da Política
Uma das empresas do cluster do Vale da Eletrônica, em Santa
Rita do Sapucaí, é a MCM Controles Eletrônicos
Ltda, que produz nobreaks, estabilizadores de voltagem, inversores,
fontes de alimentação e protetores de linha telefônica,
numa área construída de 3.500 m². Em 7 de novembro
de 2002, seu diretor, João Marcos, enviou a Salej um e-mail,
em que afirma:
Quero registrar aqui minha eterna gratidão a você,
que junto ao Sebrae/MG tanto favoreceu as empresas do nosso Vale
da Eletrônica, permitindo a estas alçarem vôos
mais altos, inclusive exportando seus produtos tão bem apresentados
nas Feiras Nacionais e Internacionais apoiadas pelo Sebrae/MG. Minha
empresa, MCM Controles Eletrônicos, teve uma ascensão
especial, impulsionada por este apoio, chegando no ano passado à
marca de mil funcionários! E toda essa reestruturação
do Vale da Eletrônica, com tantas empresas com sua sede própria
e com seu nome reconhecido e fortalecido, tudo isso devemos a você.
|