- Álcool, o vilão da semana
Terminada a folia do carnaval, caímos na
realidade do nosso trabalho cotidiano e nos deparamos com o aumento
de preços nas bombas dos postos de combustíveis.
O álcool aumentou e a gasolina está seguindo o mesmo
caminho. O governo aponta os culpados: os usineiros. De dedo em
riste, a ministra Dilma Rousseff ameaçou-os de sanções
e de expulsão do paraíso em nome da Pátria,
se não colaborarem com o governo e baixarem o preço.
E ninguém de nós, pobres usuários, quer aumento
de preço, seja do que for, e muito menos, de combustíveis.
O famoso Delfim Netto fez isso com o boi. Mandou prender boi,
os boiadeiros e os fazendeiros. Só vinte anos depois é que
o Brasil se tornou o maior exportador de carnes do planeta. Com
o álcool, está acontecendo coisa parecida. O governo
federal não tem uma política energética definida
como um todo. A ex-ministra de Minas e Energia, Dra. Dilma, se
preocupou com as usinas, tarifas e privatizações
de linhas de transmissão. O presidente Lula, com as plataformas
da PETROBRAS. Mas se esqueceram de que o álcool é o
insumo energético mais importante deste século.
O Brasil domina a tecnologia, mas o governo não faz investimentos,
que são realizados pelo setor privado. Este emprega muita
mão-de-obra (mesmo com a crescente mecanização)
e fixa o trabalhador no campo. Cresceu de forma elogiosa a responsabilidade
social das empresas. Que trazem, também, divisas. Mas o
governo não faz estoque de entressafra, não estimula
investimentos com juros sequer decentes e não tem política
de conquista de mercado mundial. Nem através de negociações
internacionais, nem através de política comercial.
O Programa do Álcool foi implantado em Minas Gerais através
do ministro Camilo Penna e da Fiat ? que fabricou os primeiros
automóveis movidos a álcool, o mais importante insumo
deste século.
O governo tem que ajudar a baixar o preço, mas não
acabando com o Programa do Álcool. Primeiro, se quiser baixar
o preço, tem que baixar os impostos (para começar,
em Minas Gerais, onde o ICMS é o dobro do de São
Paulo e não há como a Secretaria da Fazenda baixá-lo).
Depois, financiar entressafra, como se faz com arroz e feijão,
porque álcool, arroz e feijão são essenciais
para a nossa vida. E não, no final, colocar a PETROBRAS
para valer como empresa energética e não aproveitadora
de recursos naturais de petróleo. Melhorou muito, mas ainda
está longe de ajudar o Brasil a aproveitar a oportunidade
inédita de ser líder mundial dos combustíveis
e ecologicamente adequado a um mundo melhor.
Estamos com a faca e o queijo na mão. Não depende
do setor privado, mas do governo. Dos excessivos impostos que cobra
em cada litro de álcool, e não quer reduzir, mesmo
prejudicando o consumidor. Portanto, vamos dar nomes aos bois,
para que daqui a pouco não aconteça a burrada do
Delfim Netto novamente. E aí, ficamos sem álcool,
sem combustível, como já ocorreu. E isso é a
pior coisa do mundo: ficar dependendo dos árabes e suas
confusões para rodar nossos carros. A independência
energética não é a auto-suficiência
em petróleo, como está sendo alardeado. É a
independência em álcool, onde somos os melhores do
mundo. É só o governo Lula cumprir seu papel.
Stefan Salej
|