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- Pirinópolis real
A cidade é muito mais uma cidadela. Depois da expansão
urbanística do entorno de Brasília, com uma boa
hora de viagem se chega a Pirinópolis, em Goiás.
Parece uma cidade histórica de Minas antes dos tempos
modernos do turismo. É um local fascinante.
Limpo como ele só, cheio de graça e de bons restaurantes,
música ao vivo à noite com som no volume certo, árvores
e flores, casas limpas, pintadas, artesanato original, especialmente
de prata e de tecidos, pousadas de todo tipo e preços
razoáveis. Tem até o famoso “empadão
goiano”, que vale a pena experimentar.
Ao lado da cidade, muito visitada pelo pessoal de Brasília,
há dois parques ecológicos com trilhas bem sinalizadas, árvores – identificadas
com nome científico e nome popular -, flores, pássaros,
cachoeiras limpas e bem cuidadas.
Não se vê um papelzinho, toco de cigarro ou plástico
nas trilhas. Também não se vêem placas
de governo. Simplesmente porque os dois parques são
reservas ecológicas privadas, que cobram um R$ 5 e outro
R$ 9 para entrar. Detalhe: um deles é de um mineiro,
de Alfenas.
A semelhança com cidades históricas se restringe ao centro histórico
do local, onde a igreja matriz pegou fogo no final do ano passado. Mas já está sendo
reformada, com jeito e cuidado difíceis de serem encontrados. Conhecida
por suas festas religiosas, Pirinópolis tem um charme, uma organização
e uma limpeza quase únicas.
Vem-nos uma pergunta: o que Pirinópolis tem de semelhante com as cidades
históricas mineiras? Muito pouco. A não ser com Tiradentes, porque
lá os Parsons começaram a organizar a cidade e conseguiram milagres.
E o que fizeram às vezes é sistematicamente destruído,
em razão de interesses pessoais de alguns que se dizem empresários
ou políticos.
Pirinópolis é um exemplo de administração turística
que não teve empresários incendiários, que foi capaz de
se organizar de forma coletiva, com o intuito de se ganhar dinheiro, sim, mas
sem depredações. Fizeram do turismo e da cultura um negócio
limpo, responsável, e não esperaram ajuda governamental.
Os dois parques ecológicos são impressionantes. Coisa difícil
de se ver em Minas. Por aqui, se o governo não fizer, só há choro,
muito pouco se faz. O trade turístico mineiro quer aprender muito no
exterior. O Sebrae sustentou inúmeras missões de aprendizado
lá fora.
Recentemente lançaram, com muita pompa e dinheiro, o projeto Estrada
Real, que já está em curso há alguns anos. O projeto é excelente
na idéia e deve ser implantado em razão de sua raiz histórica
e seu futuro, como gerador de turismo ecológico e econômico.
Projetos dessa natureza dão certo quando se fazem de forma realista,
com continuidade e sem especulação imobiliária. E com
o mínimo de governo e o máximo de ação coletiva.
Por isso, vale a pena conhecer Pirinópolis, resultado de um projeto
sem expectativas milionárias, mas com ganhos para todos. Muito se pode
apreender no exterior, mas, com humildade, também se pode apreender
muito por aqui. Como em Pirinópolis.
Diário do Comércio, 11/6/2003
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