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A reunião do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) fincou um marco na história de Belo Horizonte. Pela primeira vez, a capital mineira foi sede de um evento desse porte, o terceiro maior do mundo na área econômica – os outros dois são as reuniões do Fundo Monetário Internacional e do Fórum Econômico Mundial.
Além de passar no teste, a cidade obteve lucros de várias formas. Em primeiro lugar, nunca os seus 55 hotéis classificados na qualificação A e B haviam registrado 100% de ocupação, como ocorreu agora. Com a hospedagem e gastos de cerca de sete mil visitantes, Belo Horizonte recebeu uma injeção de 30 milhões de dólares na sua economia, segundo cálculos ainda inconclusos, mas bem próximos da realidade. A geração de empregos temporários proporcionou a milhares de pessoas a oportunidade de auferir uma renda extra. E mais: a visibilidade que Minas e sua capital ganharam vai abrir as portas a outros eventos que certamente serão canalizados para cá após o sucesso da reunião do BID. Nossa capital mostrou ao mundo que está preparada para sediar grandes acontecimentos e, assim, consolidar sua vocação para o turismo de negócios.
Valeram a visão e o esforço do governador Aécio Neves, que não hesitou em investir pesadamente na expansão do Expominas, tornando esse centro de eventos o mais moderno da América Latina.
A propósito, quero lembrar que o Expominas foi viabilizado em parceria do Governo do Estado, então sob a chefia do governador Eduardo Azeredo, com Fiemg, da qual eu era presidente. Na época, lá se vão oito anos, Belo Horizonte conseguiu sediar a reunião da Alca, que até a assembléia do BID foi o último acontecimento econômico de porte internacional em Minas.
Desde que foi fundado, em 1959 (graças a uma atuação brilhante do presidente JK no processo da sua criação), o BID tem sido um instrumento importante de apoio a programas de desenvolvimento econômico e social na América Latina. Quando nasceu, reunia 19 países, mais os Estados Unidos. O número se ampliou depois com o ingresso dos países do Caribe, do Suriname e do Canadá. Entre 1976 e 2005, foram incorporados países membros não regionais, sendo 16 da Europa, mais Israel, Japão e a Coréia do Sul. Ampliou-se assim a dimensão mundial ao banco, do qual fazem parte hoje 47 países.
Comandado durante 17 anos pelo uruguaio Enrique Iglesias, o BID operou sob mais aplausos do que críticas até ser passado, agora, às mãos do economista colombiano Luiz Alberto Moreno. Apesar da ferrenha oposição de alguns pesos pesados da economia, como Douglas North, Prêmio Nobel de 1993 e palestrante de um evento paralelo ao encontro em BH, o BID tem desempenhado seu papel com razoável eficiência. Agora mesmo, está liberando financiamento de 160 milhões de dólares para o programa Proacesso do Governo mineiro, que prevê o asfaltamento de todos os acessos ainda não pavimentados a sedes de municípios no Estado. Esse programa é exemplo típico de iniciativa geradora de emprego, renda e bem-estar social para uma população até então carente de estradas e de atenção.
Sem dúvida, o encontro do BID foi lucrativo para Minas e BH.
Stefan Salej
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