|
A campanha pela duplicação da Rodovia Fernão Dias foi iniciada pela Fiemg no começo desta década, num período eleitoral, porque procurava obter compromisso dos futuros governantes com a obra. Os prefeitos do Sul de Minas, ao tomarem posse em 1992, comemoravam a notícia da assinatura do protocolo de intenção dos governos federal, de Minas e São Paulo, para duplicar os 563 quilômetros da rodovia, orçada na época em US$ 635 milhões. Hoje, com pouco mais de 250 quilômetros já concluídos, a duplicação da Fernão Dias confirma a expectativa, em termos de desenvolvimento industrial na região de sua influência, que deverá receber até o ano 2000 quase R$ 7 bilhões em investimentos.
Vale relembrar essa história, quando a Fiemg se lança novamente em campo para liderar outra campanha: a duplicação de um trecho de mais de 1.500 quilômetros da BR-116. Como 815 quilômetros estão em território mineiro, compreende-se que a iniciativa tenha partido de Minas, mas o fato é que a duplicação da Rio-Bahia não interessa apenas aos mineiros. A obra é de fundamental importância para a efetiva integração da região Nordeste aos mercados do Sudeste e ao Mercosul. Ela terá forte repercussão nas economias regionais, certamente, mas terá influência também na economia nacional, facilitando o crescente tráfego de cargas entre os dois hemisférios brasileiros. Dados do DNER indicam que hoje, na balança instalada em Caratinga, na Zona da Mata mineira, passam cerca de 1.200 veículos de carga por dia. No mesmo local, o tráfego de veículos em geral se aproxima de 6 mil diariamente.
A Agência de Desenvolvimento Industrial e Infra-Estrutura da Fiemg já iniciou o processo de levantamento de dados e informações, que auxiliarão políticos e investidores na tomada de decisão, além de dar subsídios aos estudos técnicos e de viabilidade da obra que se propõe a realizar, inclusive com a participação da iniciativa privada. No âmbito político, enviamos correspondência ao presidente Fernando Henrique Cardoso, ao governador Eduardo Azeredo e a outras autoridades federais que, pelos seus cargos, possam ajudar na viabilização do projeto. O governador de Minas manifestou, ao receber o presidente da Fiemg no Palácio da Liberdade, dia 18 de junho, seu apoio à campanha, comprometendo-se a defender a duplicação da Rio-Bahia junto ao presidente da República e aos governadores dos outros estados por onde passa a rodovia.
Lançada por nós em Caratinga, durante reunião de empresários, no mês passado, a idéia despertou de imediato o interesse da imprensa – o que se justifica, porque a Federação das Indústrias de Minas Gerais tem tradição de êxito nas campanhas que lidera. São inúmeros os exemplos e bem conhecidos, o que dispensa a citação. Queremos lembrar apenas que partiu da Fiemg a proposta de privatizar as estradas federais que cortam o estado, como forma de melhorar o escoamento rodoviário de nossa produção industrial.
Desta vez, estamos certos de que, se todos nos envolvermos, a duplicação da Rio-Bahia se constituirá em novo marco de desenvolvimento de importante parcela do território mineiro, que vai de Além Paraíba a Águas Vermelhas, com repercussões nos Estados vizinhos do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia e em todo o Nordeste brasileiro. Enfim, uma obra com repercussão em toda a economia nacional.
Indústria de Minas, julho de 1998
|