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OPINIÃO

Artigo

  • Um novo desafio

No final da década de 60, o governo de Minas, com apoio das entidades empresariais, arregaçou as mangas e debruçou-se num amplo projeto para desenvolver o Estado, com ênfase em sua industrialização. O planejamento, liderado pela Fundação João Pinheiro, que nascia repleta de boas intenções e sem os vícios dos antigos órgãos públicos, serviu realmente para orientar os investimentos no Estado e, em poucos anos, Minas deu um grande salto.

Hoje vivemos uma situação que, de certa forma, lembra os anos de estagnação econômica vivida pelo Estado, antes que as lideranças mineiras despertassem para sua realidade. Mais do que isso, antes que elas descobrissem suas incríveis potencialidades. Apesar de todo o progresso observado nos últimos 30 anos, da intensa industrialização que se espalhou por todo o território mineiro, da mudança comportamental de nossos trabalhadores – que nunca foram tão conscientes da importância de seu aperfeiçoamento profissional e da educação própria e dos seus filhos -, apesar de tudo isso, voltamos a conviver com um Estado oneroso, pesado e burocrático, e que necessita de reformas bem mais profundas do que as que foram feitas até o momento.

Estamos plenamente convencidos de que a origem da atual crise brasileira não pode ser buscada apenas nos fatores externos. Internamente, muita coisa precisa ser mudada. Por isso, o setor industrial mineiro se recusa a dar apoio incondicional a qualquer política governamental que não leve em conta a urgência da reforma do Estado.

Para não ficar apenas na crítica, a Fiemg pretende iniciar, com a ajuda de consultorias renomadas, um processo de reavaliação da atual situação econômica. Mesmo sem um diagnóstico mais aprofundado, percebe-se que predominam hoje, na estrutura econômica do Brasil, os interesses do sistema financeiro. Há um desequilíbrio gritante que se reflete na tomada de decisões políticas. As conseqüências são graves, pois é impossível encontrar no mundo um único exemplo de país desenvolvido onde só os banqueiros ganham, enquanto o setor produtivo convive com dificuldades crescentes.

Minas, em particular, necessita de um novo diagnóstico do setor produtivo e de um plano de ação empresarial para os próximos 20 anos. Como se afirmou antes, a Fiemg está disposta a contribuir para isso. A entidade tem dado seguidos exemplos, nos últimos anos, de sua preocupação com o desenvolvimento de Minas.

O projeto que estamos propondo vai necessariamente envolver os setores produtivos privados e públicos e os segmentos organizados da sociedade. Inspirados, quem sabe, naquele processo que resultou, há três décadas, na criação dos órgãos de fomento que impulsionaram tão pujantemente o desenvolvimento mineiro. As dificuldades, naquela época, pareciam imensas. Mas foram enfrentadas com coragem e competência. Não tenho dúvidas de que as novas lideranças do Estado também saberão enfrentar o desafio.

Indústria de Minas, abril de 1999

 

 



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