- Não há futuro
sem trabalho
Existem no Brasil, revelam estatísticas recentes, cerca de 40 milhões de jovens com idade entre 15 e 24 anos. Mais da metade tem condições de trabalhar, mas calcula-se em mais de 17% o índice dos que são economicamente ativos e estão desempregados. Isso quer dizer: aproximadamente 4 milhões de jovens fora do mercado de trabalho, número superior à população de muitos países. Em qualquer parte do mundo o desemprego é maior nesta faixa de idade, mas não em índices tão elevados como no Brasil. Nos Estados Unidos, por exemplo, o número de jovens desempregados não passa de 13%.
Sabe-se que o desemprego contribui para a vulnerabilidade social, especialmente dos jovens de famílias carentes, que não têm acesso aos serviços mais elementares, como uma educação de qualidade e base sólida de formação, o que leva ao aumento da violência, da prostituição e ao consumo de álcool e drogas. A frustração do jovem que tenta e não consegue ingressar no mercado de trabalho afeta sua própria saúde, como reflexo da queda da auto-estima e da sensação de incapacidade. Ao procurar um emprego, o que ele tem em mente é realizar seus projetos de vida, conquistar a independência econômica e, futuramente, constituir família. Frustrados esses anseios, o que lhe resta é a desesperança, que evolui para o desespero e abre as portas da delinqüência.
Eliminar ou reduzir a falta de perspectivas desse enorme contingente de brasileiros sem esperança e sem futuro não é tarefa exclusiva do poder público. É fundamental que mais setores da iniciativa privada sigam o exemplo de entidades como o Sesi, o Senac, dentre outras, e ONGs voltadas para a assistência aos adolescentes, com programas de formação profissional, moral e social.
Ao Governo cabe a responsabilidade de criar condições que facilitem e estimulem a atuação de empresas e pessoas interessadas em ajudar nessa tarefa. Se continuar como está, não haverá futuro para os nossos jovens. E muito menos para a Nação.
Stefan Bogdan Salej
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