- Oportunidades Científico-Tecnológicas
nos Estados Brasileiros
Minas Gerais é ímpar em alguns aspectos. A área
de pesquisa científica é uma delas. Nela vivemos
uma situação curiosa. As fundações
tem dinheiro para pesquisa, mas temos carência de projetos.
A FAPEMIG tem recursos e não tem projetos. Não estamos
gerando projetos suficientes. É um problema sério
que temos que resolver.
Por outro lado, temos projetos de incubadoras já bem desenvolvidos.
Gostaria de mencionar a de Santa Rita do Sapucaí que já é bem
conhecida e a BIOMINAS, na área de biotecnologia, que está conseguindo
resultados interessantes, inclusive no que chamamos de pesquisa
científica com base social. Em Minas temos uma empresa,
a BIOKITS, que está dando uma resposta extremamente interessante
para identificação dos diagnósticos da tuberculose.
Em termos acadêmicos temos uma característica diferente
de estados como São Paulo, por exemplo. Temos uma rede enorme
de universidades federais, duas estaduais e as chamadas confessionais,
dentre as quais destaco a Universidade Católica. Essa rede
começa a ficar mais integrada em termos de pesquisa. Por
exemplo, as escolas de engenharia já estão trabalhando
juntas em projetos comuns. Não há mais aquela tradicional
dispersão de esforços. A comunidade mineira não
foi só solidária no câncer, como se dizia antigamente,
mas começamos a ser solidários em alguns projetos.
Num deles, escolhemos seis prioridades, as chamadas "Missões
Tecnológicas no Desenvolvimento do Estado", que abordam
o tratamento de dejetos, aquacultura, florestas renováveis,
biotecnologia, saúde animal, gemas e jóias. Estamos
trabalhando integrados num esforço comum que segue a mesma
linha. E temos conseguido alguns resultados. Porém, temos
alguns "abacaxis" na mão. Temos mais de 2 milhões
e meio de hectares de florestas renováveis, que serviriam
muito bem para a siderurgia. Porém, o setor, dentro do processo
de globalização, parou de usar a madeira do eucalipto
ou a usa de uma forma marginal. E nós estamos com florestas
apodrecendo e não desenvolvemos tecnologia suficiente para
a indústria moveleira e nem a indústria de celulose
usa tudo.
Por outro lado, estamos desenvolvendo a aquacultura. Tratamento
de rejeito não é só tratamento de rejeito.
Nós queremos ser, na verdade, o maior pólo brasileiro
de indústria para o meio ambiente, desde a pesquisa acadêmica
até o produto, a engenharia e tudo mais.
Outro esforço importante que estamos desenvolvendo, por
sugestão do Ministro da Ciência e Tecnologia, José Israel
Vargas, e do presidente do CNPq, Professor Tundisi, é de
levar jovens doutores ou recém-formados doutores para as
indústrias. Em vez de ficarem dois anos e meio esperando
por um concurso na universidade, eles atuam na indústria
recebendo bolsas de estudos. Nós estamos trazendo esse pessoal
e dizendo: "Olha, além de você ter uma grande
oportunidade na universidade brasileira - e nós acreditamos
firmemente que ela está mudando, que há um novo ciclo,
uma revitalização - você tem um mercado de
trabalho na iniciativa privada, no Centro de Pesquisa ou conjugada".
Fizemos um programa que envolve 100 jovens doutores, dos quais
37 já estão empregados na Indústria. E agora,
o Rio Grande do Sul também vai fazer o mesmo, e eu espero
que outros estados, em breve, também caminhem nesse sentido.
O interessante é que nós não fazemos restrições às áreas
que esse pessoal está trabalhando. São inúmeros
setores, que às vezes não tem uma relação
direta com a indústria. Um dos momentos mais significativos
para mim desde que estou na Presidência da Federação
das Indústrias aconteceu quando o pessoal do Departamento
de Ciência Política da UFMG nos procurou com um gama
de projetos comuns que podemos fazer. Isso demonstrou que antigas
divergências ideológicas estão sendo superadas
em benefício de uma cooperação que pode ser
fundamental para o crescimento dos dois setores.
Outra iniciativa que merece destaque é o Programa de Trainees
que implantamos na Federação. Colocamos 12 recém-formados
em mestrado, um inclusive, recém-formado em doutorado nos
quadros da entidade. Temos, também, um programa de financiamento
de teses de mestrado e doutorado. Estamos implementado parcerias
com a CAPES, o CNPq e a FAPEMIG e estamos totalmente abertos a
essas iniciativas.
Estamos desenvolvendo centros de pesquisa em nível mundial.
Por exemplo, o automóvel Palio, que já está produzindo
1.400 unidades por dia, é um projeto mineiro. Ele foi desenvolvido
na fábrica de Betim. Os italianos vinham a Minas e fizemos
um projeto conjunto. É fundamental trazermos pesquisa e
desenvolvimento científico para o Brasil e que se desenvolvam
os produtos ao nível world manufacturing. Acho que o Palio é um
belo exemplo disso pois toda a indústria de auto-peças
se desenvolveu com ele. Temos tecnologia própria.
Também temos buscado novos caminhos por meio de parcerias
com a universidade. O balanço tecnológico da empresa é extremamente
positivo, como o da CEMIG, por exemplo. Sem falar na Biobrás,
que tem até o Centro de Pesquisas nos Estados Unidos, na área
de biotecnologia.
O que, para nós, é importante dizer para as senhoras
e os senhores, principalmente, os que estão estudando aqui
(nos Estados Unidos)? Primeiro, que nós temos enorme orgulho
de vocês. Como cidadãos, como conterrâneos e
como pesquisadores.
Segundo, que nós não gostaríamos que vocês
perdessem o vínculo com a instituição onde
estudam. É fundamental a manutenção desse
vínculo. O terceiro é que acreditamos que depois
do pós-doutorado ainda existe um enorme espaço para
estudar e nós temos que ajudar a garantir essa possibilidade.
Eu sei que na hora que você recebe o título de doutor é um
momento glorioso da vida. Mas a vida só está começando
aí.
Queremos que vejam quais são as pesquisas, os trabalhos
que podemos desenvolver juntos. Nós temos inúmeros
ex-estudantes ou graduados na Nova Inglaterra na comunidade acadêmica
e industrial em Minas Gerais. Nós não temos fronteiras. É importante
trabalharmos em conjunto. Belo Horizonte e Minas Gerais têm
lugar onde você pode trabalhar de uma forma eficaz, ser feliz
e produzir.
http://www.dct.mre.gov.br/boston/
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