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Currículo
Desafios pessoais
Stefan Bogdan Salej nasceu em 1943 em Liubliana, capital da Eslovênia. E, em 1949, aos 5 anos, enfrentou o seu primeiro grande desafio: viver por um ano num reformatório para filhos de pais considerados inimigos do Estado.
Na época, seu pai, Stefan Salej, foi membro de um grupo que ajudava as pessoas a sairem clandestinamente da Iugoslávia dominada pelo regime comunista do Marechal Tito e, ao ser descoberto, teve que se refugiar na Itália. A mãe, Marta, foi presa ao tentar se juntar ao marido, também na Itália. Condenada a sete anos de prisão em regime de trabalho forçado, teve que deixar o pequeno Stefan e sua irmã, Ana, de apenas 9 meses.
Stefan, que, depois do reformatório, foi acolhido por tios paternos, só viria a reencontrar sua mãe quatro anos depois, quando foi libertada em 1953. O menino Stefan ajudava sua mãe no trabalho de faxina e estudava num colégio da cidade. Catava papel no lixo do colégio, para vender e ajudar nas despesas da família.
Desde 1951 o seu pai já havia imigrado para o Brasil.
Depois de longa fase de sofrimentos, a família só viria a se reencontrar em 1960, quando o pai de Stefan Salej, com a ajuda de uma entidade católica de Belo Horizonte, conseguiu comprar as passagens para Marta e seus filhos.
Estabelecidos em Belo Horizonte, a família começa uma nova etapa de suas vidas.
O Jovem Salej, então com 17 anos, arruma o primeiro emprego como servente de cozinha. Seis meses depois foi vendedor autônomo, na mesma época em que concluiu o científico.
O trabalho, o estudo e a família foram estímulos que ajudaram Stefan a superar as dificuldades da primeira fase da sua vida.
Desafios empresariais
Aos 20 anos, Stefan inicia a sua carreira empresarial, criando a firma de representações Stesa Ltda. Dois anos depois, fundou a Selpe – Seleção de Pessoal.
Mesmo construindo a vida no Brasil, Stefan manteve seus vínculos com a Eslovênia. Entre 1968 e 1974, foi correspondente para a América Latina do maior jornal daquele país, o Delo, tendo ganhado o Prêmio de Melhor Correspondente de 1972.
Em 1970, formou-se em administração de empresas pela UNA. Estava pronto para iniciar um de seus maiores projetos industriais: criar a Tecnowatt – Indústria Eletrônica Ltda., para produzir relés fotoelétricos.
O estilo ousado da empresa foi um fator determinante para a rápida expansão do empreendimento e a ampliação do seu mercado de atuação. Com apenas quatro anos fez a sua primeira exportação, para o Chile, e em 2003, quando foi vendida para um grupo espanhol, exportava para 14 países.
A Tecnowatt destacava-se como empresa pioneira no lançamento de produtos, registrando várias patentes. Procurava manter-se um passo à frente dos concorrentes. O trabalho em equipe, o investimento em tecnologia e a formação dos seus empregados (que chegavam a fazer MBA nos Estados Unidos e Mestrado no Brasil) impulsionaram o crescimento da empresa. Em 1986, depois de três anos de pesquisa, entrou para o grupo de cinco empresas no mundo que fabricavam células fotorresistivas, utilizando relés fotoelétricos. Era a primeira empresa na América Latina a dominar essa tecnologia.
Nos 36 anos em que esteve à frente da Tecnowatt, Stefan venceu todos os desafios empresariais e marcou pelo seu estilo de administrar e fazer acontecer.
Desafios públicos
O sucesso empresarial o levou para novos desafios no setor público. Em 1991, Stefan assume a presidência do Sebrae Minas. E imprime um novo ritmo à instituição, redesenhando a sua estrutura e dando um dos maiores saltos na ampliação dos seus serviços.
Antes, o Sebrae Minas só atendia empresas da Região Metropolitana, mas em 1993 atingiu a marca de 272 municípios atendidos. O número de atendimento foi ampliado de 53 mil para 224 mil.
Um programa interno de qualidade total fez com que o Sebrae, além de ampliar o volume de atendimento, melhorasse a qualidade dos serviços prestados.
À frente do Sebrae, Salej idealizou e implantou a primeira Escola Técnica de Formação Gerencial (ETFG), inaugurada em 1994. Um projeto que teve investimentos de cerca de US$ 5 milhões e foi uma iniciativa voltada para fortalecer as pequenas empresas e garantir mais empregos.
Em 1994, dirigentes de entidades empresariais apresentaram a Salej proposta para que concorresse à sucessão de José Alencar na presidência da FIEMG, numa chapa de oposição. Mas as boas propostas do grupo para que a FIEMG trabalhasse mais com as empresas, sobretudo as pequenas e médias indústrias do interior, proporcionando melhores condições de competir com empresas estrangeiras no ambiente do Plano Real, motivou um acordo com a atual direção da FIEMG, transformando Salej no candidato do consenso.
Ao assumir a presidência da FIEMG, Salej adotou uma parceria com trabalhadores e governo, num programa destinado a liderar em Minas um processo industrial que buscaria redução de custos, a melhoria da qualidade dos produtos e o aumento da renda dos trabalhadores. No seu discurso de posse frisou suas três prioridades: educação, educação e educação.
Sob a direção de Stefan Salej e sua equipe, a FIEMG superou os limites de sua atuação, assumindo um importante papel como fomentadora do desenvolvimento de Minas e do Brasil.
O conjunto de ações e iniciativas e os investimentos que foram realizados pela FIEMG promoveram avanços na formação e qualificação do trabalhador, na implementação de novas tecnologias, na melhoria da qualidade e produtividade, resultando em maior competitividade da empresa mineira.
O trabalho desenvolvido por Salej ajudou a promover uma mudança de mentalidade, criando uma nova visão sobre os novos caminhos para o desenvolvimento sustentável.
Projetos como a criação do Minas Trade Center, o Núcleo de Oportunidades de Trabalho (NOT), o incremento da Escolas do SENAI-MG (de 12 para 117 e de 29 mil alunos para 130 mil) e o Centro de Comunicação, Design e Tecnologia Gráfica estão entre muitas das iniciativas que marcaram a gestão de Salej na FIEMG.
Em 1999, Salej concebeu e lançou o Projeto Cresce Minas que tinha como objetivo resolver o problema do desenvolvimento do Estado por meio dos chamados arranjos produtivos locais ou clusters. No âmbito do Cresce Minas, foi criado o Projeto Estrada Real - o maior e mais ambicioso projeto turístico do Brasil. Como parte do projeto, foi criado, por iniciativa da FIEMG o Instituto Estrada Real.
As empresas, ao mesmo tempo em que começaram a perceber mais intensamente o valor do investimento em qualificação do trabalhador, em tecnologia, qualidade e produtividade, foram sensibilizadas para a convivência harmônica com o meio ambiente e a coletividade.
Salej ativou, na FIEMG, o Conselho do Meio Ambiente. Um comitê estratégico e político, onde estão representadas as 16 maiores empresas de Minas em diversos setores. E, em 2000, deu posse ao Conselho de Cidadania Empresarial da FIEMG que tinha o objetivo de engajar as empresas na construção de uma sociedade economicamente próspera e socialmente justa, substituindo a filantropia pela política de responsabilidade social.
Em 2000, a FIEMG reuniu em Belo Horizonte mais de mil empresários do país inteiro, numa inusitada “passeata dos engravatados”, em defesa da reforma tributária. Foi o maior ato público de empresários promovido até hoje no país, na luta por um sistema tributário mais racional e socialmente justo.
Mais uma vez, o trabalho de Salej na FIEMG ficou marcado pela inovação, pioneirismo, liderança e, sobretudo, por resultados positivos.
Em 2002, Salej apresentou o resultado do crescimento planejado promovido na FIEMG (1995/2001): o volume de contribuições cresceu 30% e as receitas de prestação de serviços aumentaram 250%. Entre 1995 e 2001, a produtividade industrial mineira cresceu 70,2%, o PIB industrial aumentou 29,7% e o PIB total do Estado evoluiu 21,7%.
Uma nova diretoria da FIEMG foi eleita com o apoio de Stefan Salej, obtendo 90% dos votos.
Atuando com sucesso à frente de duas das mais importantes instituições públicas mineiras, Salej venceu desafios.
Considerado um empresário intelectual, Salej é poliglota. Comunica-se em português, esloveno, inglês, alemão, espanhol, sérvio, croata, francês e italiano.
Em 1996, foi nomeado cônsul geral honorário da República da Eslovênia no Brasil.
Foi, ainda, professor da UNA e conferencista dos cursos da Fundação Dom Cabral.
Ao longo da vida, participou de dezenas de congressos, seminários, workshops e debates no Brasil e no exterior.
Atualmente, é professor visitante do curso de doutorado do Institut Jozef Stefan, da Universidade de Liubliana.
Salej tem dois filhos e é casado com a diplomata brasileira Débora Vainer Barenboim.
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