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No discurso de transmissão de cargo, no dia 11 de janeiro de 2002, Salej mostrou-se realista, ao criticar vários aspectos da economia mineira, sobretudo a “lentíssima modernização do Estado”. O ano de 2001 havia sido decepcionante para quase 35% dos entrevistados numa pesquisa de opinião feita pela FIEMG. Foram ouvidos dirigentes de empresas de todos os tamanhos.
Eles apontaram, entre os motivos do desempenho inferior ao esperado, a retração do mercado interno, o racionamento de energia elétrica, a elevação das taxas de juros e a desvalorização do real frente ao dólar. Afirmou Salej:
O setor privado e em especial o setor industrial mineiro têm demonstrado uma capacidade ímpar de serem criativos, desenvolverem-se e crescerem, mesmo em situações adversas. Foi com essa visão de futuro, da real capacidade de crescimento de nossa economia, que a nossa diretoria liderou o processo de desenvolvimento da indústria de Minas. Cumprimos a nossa missão.
A maior prova dessa capacidade empresarial é que, nos últimos quatro anos, durante o mandato da diretoria que hoje se despede, a economia e a indústria mineira mostraram um vigor exemplar. A nossa taxa de crescimento foi de 14,4%, a taxa de crescimento da produtividade superou a média nacional, subindo de 7,3% para 10%, as nossas exportações somaram 33,06 bilhões de dólares, representando 13,36% das exportações brasileiras no período. Criamos saldos comerciais que ajudaram o Brasil a pagar suas dívidas e comprar matérias-primas e equipamentos para aumentar a produtividade.
No ano de 2000, por exemplo, a lucratividade das vendas da indústria mineira superou a média nacional alcançando 8,54%. Não se verificou grande volume de quebras na área industrial e a liquidez das empresas mineiras situou-se entre as melhores do Brasil.
Aliás, mais de 75% de nossos depósitos bancários são aplicados fora do Estado. As nossas empresas expandiram as suas atividades em outras regiões do País e houve uma reestruturação significativa da base capitalista da indústria mineira.
Ao mesmo tempo, aumentou a participação de capital de fora do Estado e de fora do País, através da aquisição de empresas de capital mineiro, e houve menos investimento autóctone novo no Estado.
Na área de pequenas e médias empresas, mesmo com legislação específica, não houve mudanças políticas significativas que nos levassem a afirmar que a prioridade de crescimento no Estado é a empresa de origem mineira. A quantidade absurda de empresas inadimplentes junto ao antigo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais mostra claramente que a política de desenvolvimento industrial privilegia a atração de investimentos de fora do Estado e não o investimento disponível no Estado, muito menos o do investidor mineiro.
A infra-estrutura do Estado está abaixo da crítica quando falamos de logística. As estradas de Minas são as piores do Brasil, matam os nossos negócios e matam a nossa gente. As telecomunicações, cujo comando estratégico está fora do Estado, são eficientes, como também é eficiente, apesar de todas as crises, especialmente a mais recente, o setor de energia elétrica. Mas o gás vindo de Campos não é suficiente para desenvolver o Estado e o gasoduto Brasil-Bolívia passa à margem de Minas Gerais.
A educação, que foi o grande centro de nosso desenvolvimento, precisa adquirir novo ímpeto e tornar-se a nova prioridade, para não corrermos o risco de nos tornarmos um Estado subdesenvolvido, em vez de liderarmos o nosso desenvolvimento com boa educação e melhores índices sociais.
Enquanto a indústria se modernizava, atingindo níveis mundiais de competitividade em vez de limitar-se a sobreviver às agudas crises de procura de estabilidade monetária, assistimos todos estes anos à lentíssima modernização do Estado, mais lenta do que a que se pode verificar no nível federal e em outros estados brasileiros.
Os impostos aumentaram, vieram novas taxas e novos tributos, criaram-se novos gastos e viu-se lentidão na solução dos problemas sociais. Exemplos individuais de cidadãos responsáveis no exercício da função pública são a exceção aplaudida por nós, mas que confirmam a regra de falta de um projeto de um estado moderno, eficaz, mais justo e promotor de desenvolvimento. Minas ficou singularizada, após a declaração da moratória, no mapa dos investimentos e em especial de investimentos norte-americanos, como um Estado e um povo que não conseguem e não querem cumprir seus compromissos.
A isso não se pode deixar de somar o alto custo de nossas atividades legislativas, beneficiando indivíduos com barganhas que às vezes até beneficiam aparentemente o setor industrial, mas que prejudicam o Estado e a sua população como um todo. A ética que, com a respectiva responsabilidade social, penetrou fundo nas empresas mineiras, tornando-as líderes nesse processo no Brasil, passou desapercebida por um grupo significativo da política local.
A diretoria que ora encerra o seu mandato liderou com galhardia e humildade, sem esquecer a competência profissional, a indústria mineira, para torná-la mais forte e competitiva. Programas pioneiros como o Cresce Minas – um projeto de desenvolvimento para Minas Gerais, liderado pelo setor produtivo, cujo êxito permitiu o crescimento de empresas com valor agregado maior nos setores em que podemos ser líderes em importantes segmentos do mercado mundial, foram a resposta da FIEMG para os anseios de desenvolvimento da indústria e do povo mineiro, em face da falta de governabilidade, de objetivos e de compromisso com o desenvolvimento daqueles outros atores sociais e econômicos que possuem mandato institucional e constitucional para conduzir o processo.
A indústria de Minas trabalhou, inovou, fez alianças com os setores de governo e dos governos que queriam trabalhar e que querem bem a Minas Gerais. Fez aliança com aquela parte de Minas Gerais que não se esquece de que a história se faz respeitando a visão de futuro, com trabalho árduo e inovador.
Sem medo de errar, podemos afirmar que o Cresce Minas é o mais importante programa de desenvolvimento regional inserido no contexto do desenvolvimento brasileiro no final do século, com vistas para um século novo, no qual conhecimento e tecnologia, junto com trabalho eficiente, vão produzir uma sociedade mais justa, mais eqüitativa e sempre com vontade de crescer.
O papel exercido pelo Sistema FIEMG, que fecha o ano com saldo positivo de mais de 35 milhões de reais, com média de 45% de receita proveniente de serviços, foi inovador não só na introdução do orçamento matricial, na desconcentração de suas atividades, chegando através dos CRDIs mais perto do cliente, ou na nova estrutura organizacional em vias de implantação, mas também inovou através de programas tão diversificados como o de Ginástica na Empresa – com a participação de 50 mil funcionários, Sindicato Vivo, Olimpíada do Conhecimento, Projeto Forte, Compre Bem, Expoforte...
Esses projetos, assim como uma melhor estruturação sindical, com aumento do número de empresas participantes de nossos sindicatos, com base na escola pioneira de líderes empresariais, nos levaram também a uma convivência harmoniosa com os nossos trabalhadores. Nestes quatro anos, como nos três anos precedentes, não tivemos greves na indústria mineira.
Negociamos duramente, mas dialogamos bem. E fomos pioneiros nas mudanças de legislação trabalhista, seja na participação dos resultados, seja nas juntas de conciliação prévia.
A nossa diretoria conclui seu mandato entregando o comando da casa após uma eleição democrática com a presença de duas chapas, das quais venceu a que, sob a liderança do engenheiro Robson Braga de Andrade, se comprometeu com a continuidade de programas e projetos, que se comprometeu com a liderança contínua da indústria mineira no processo de desenvolvimento do Estado e do País, com a sua inserção social e com a ética na política. Isso muito nos honra porque a vitória da chapa vencedora foi o reconhecimento do acertado das diretrizes, de maneira operacional e estratégica, da atual diretoria.
Novos tempos, novos desafios. E nesta hora quero reafirmar a minha absoluta tranqüilidade e certeza de que a nova diretoria, sob a liderança do meu amigo e companheiro, escolhido por todos nós, engenheiro Robson Braga de Andrade, saberá que o futuro se engrandece quando se constrói a história. E que saberá dar respostas aos desafios que levarão a indústria mineira àquele patamar que sempre miramos, para as futuras gerações de Minas e do Brasil: a indústria mais competitiva e com produtos entre os de melhor qualidade do mundo, com o Brasil disputando não mais o oitavo lugar, mas disputando pelo menos o quinto lugar entre as potências industriais mundiais.
Para isso, é importante olhar para frente. É importante fazer parte plena do Brasil. E aí quero agradecer ao presidente Fernando Henrique Cardoso e aos seus ministros, que jamais deixaram de nos ouvir e de levar em consideração as nossas propostas. E é importante fazer parte do mundo, participar desse mundo de negócios e não ser levado pelos acontecimentos. Pautar e não ser pautado. Não ser pretensioso sem construir grandeza. Não se apequenar diante do Brasil e do mundo. Esta casa, esta FIEMG que tive a honra de presidir sucedendo o doutor Nansen Araujo e o senador José Alencar, nunca se apequenou diante das ameaças, dos desafios e, em especial, diante do futuro.
Para a indústria mineira, é fundamental desempenhar seu papel de liderança com seus valores de trabalho, de eficiência, de organização empresarial eficaz e transparente, manter a sua obsessão com a qualidade e a produtividade, a sua vocação exportadora e inovadora, junto à entidade maior da indústria que é a Confederação Nacional da Indústria. Nós não temos o direito de permitir que a indústria brasileira não seja representada dentro dos valores que mencionei e que Minas não participe condignamente da sua reestruturação e do seu desenvolvimento. Mas temos que levar em consideração o nosso compromisso com a ética e com o desenvolvimento.
Lutar para melhorar, sim, mas associar-se sob qualquer pretexto, sob qualquer condição que subjuga a nossa capacidade de colaborar, cooperar e prosperar, não. Minas tem dignidade, esta Federação das Indústrias e esta indústria deram exemplos e darão certamente ainda outros, de seu compromisso com a eficiência, a eficácia, a transparência e a sua missão de desenvolvimento.
É hora de agradecimentos. À equipe da casa, a esta gente maravilhosa, trabalhadora e eficiente, que se adaptou aos novos tempos. Aos funcionários que hoje estão conosco e a todos aqueles que estiveram conosco. Meu mais caloroso e sincero obrigado. Vocês são, sem exceção, profissionais que honram a indústria brasileira e honram Minas Gerais.
À diretoria plena, à diretoria executiva, a todos os diretores que nunca falharam no debate e na ação que levassem Minas Gerais adiante. Aos membros do comitê gestor, braço direito e cabeça da reorganização e do sucesso de hoje. Aos meus amigos do grupo dos oito, informal, que sempre teve a generosidade de me corrigir e me ajudar.
Ao senador José Alencar, industrial com I maiúsculo, meu antecessor, que nunca deixou de ser o balanço fiel do nosso passado e do nosso futuro.
Aos presidentes dos sindicatos, os que ocuparam e os que hoje ocupam essa função, a base do nosso trabalho e da nossa existência. E que votaram a nosso pedido com confiante certeza na nova diretoria.
A todos, meus agradecimento, meu respeito e minha admiração.
Mas quero em especial agradecer a duas pessoas sem as quais certamente não atingiria os resultados que atingimos. Ministro Camilo Penna, obrigado. O senhor foi guia, foi luz, foi sabedoria, foi mineirice e mineiro e foi brasileiro.
Olavo, meu amigo e companheiro. Que Deus lhe dê amigos melhores do que fui e que Deus me dê mais amigos como você. E agradeço a convivência, a oportunidade de aprender, de trabalharmos juntos, de fazermos inúmeras coisas juntos por este país maravilhoso que é o Brasil.
Humildemente peço a cada um de vocês desculpas pelos erros, maneira de tratar e tudo mais. Desculpem se errei, quando errei. Obrigado.
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