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BC não entendeu a sociedade, diz Salej

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Em meados de 2001 veio a crise do racionamento de energia e, no começo de junho, mais uma alta significativa na taxa de juros. Salej foi entrevistado pelo repórter Gustavo Paul, de O Estado de São Paulo. Destacou o jornal paulista:

 

A fórmula aprovada pelo Congresso para o pagamento da diferença do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) expurgada na época dos planos Verão e Collor 1 e o aumento de juros anunciado pelo Banco Central terão efeitos mais nocivos para a economia brasileira do que a crise de energia. Na opinião do presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), o esloveno naturalizado brasileiro, Stefan Bogdan Salej, o Banco Central não entendeu a principal lição do período de racionamento. Ou seja, a sociedade seria capaz de contornar o aumento da inflação, evitando assim mais uma alta dos juros.

 

“Essa situação energética mostrou que a sociedade brasileira é capaz de administrar situações adversas”, disse Salej, dono da Tecnowatt, segunda maior empresa de iluminação pública e industrial do País, e uma das principais vozes do empresariado mineiro. “O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) não pode chegar e dizer que não confia que a sociedade vá dar conta e então aumentar os juros”, afirmou o empresário.

 

“A sociedade não funciona de forma matemática, então é preciso ouvir e ver como as pessoas agem”. Ele cita o apoio da sociedade na redução do consumo, que deve evitar a ocorrência de apagões. A indústria mineira, por exemplo, já estava alerta para a falta de energia, implementou um plano de racionalização de energia. O resultado foi crescimento de 7,5% no ano passado e um aumento da demanda de energia de apenas a metade.

 

Salej, que é candidato à presidência da Confederação Nacional da Indústria (CNI) nas eleições do próximo ano, afirma que a transferência para o empresariado da conta do pagamento da diferença do FGTS vai resultar em aumento do desemprego. Pelo projeto aprovado semana passada, a maior parte do dinheiro para repor as perdas, que chega a R$ 40 bilhões, sairá da contribuição adicional de 0,5% sobre a folha de salários, a ser pago pelas grandes e médias empresas e da contribuição social de 10% sobre a mesma base de cálculo da multa rescisória.

 

“O acréscimo do FGTS, justo ou não, demonstra um aumento de custo e um retrocesso nas relações de trabalho”, afirmou. Para ele, haverá um incremento brutal do custo de mão de obra. “Posso dizer que o pagamento do fundo vai gerar mais desemprego que a crise energética”, avisa. Ele lamenta que nessa discussão sobre o pagamento do fundo perdeu-se a oportunidade de realizar um debate sobre as relações de trabalho no País. “Os congressistas e o próprio governo levaram isso como uma questão pontual”, disse.

 

O Estado de S. Paulo, 24/6/2001



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