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Stefan Salej defende, na UnB, independência do setor produtivo brasileiro para construção de uma sociedade mais sólida
Ismália Afonso Editora de Produção da Assessoria de Comunicação
Capitalismo independente em um país em desenvolvimento. Será que isso é possível? Pelo menos foi essa a receita defendida pelo empresário Stefan Salej, proprietário da Schaley Indústria Elétrica, em palestra realizada na Universidade de Brasília (UnB) na quinta-feira, dia 6 de maio. O esloveno radicado no Brasil diz que o país só será independente com fortalecimento do setor produtivo interno. “Hoje, mais de 50% da produção industrial brasileira é de empresas internacionais”, disse ele. O empresário participou do Círculo Internacional, rodada de debates promovida pela Assessoria de Assuntos Internacionais da universidade.
| Isabela Lyrio/UnB Agência |
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| Salej: força do empresário no crescimento do país |
Salej defendeu na UnB um projeto nacional de desenvolvimento e a unanimidade dos empresários brasileiros em torno disso. Segundo ele, os executivos do Brasil sofrem do que ele chama de miopia empresarial: “o empresariado não acredita que o progresso social desenvolve o mercado interno e, no fim das contas, desenvolve o país”. Isso porque é possível ganhar dinheiro – objetivo principal do empresário – sem ser socialmente responsável.
APOIO PRIMORDIAL – A importância do setor produtivo nas decisões do país é histórica, segundo o conferencista. Um dos exemplos foi o apoio ao golpe militar de 1964. “Sem o suporte dos empresários, os militares não chegariam nem teriam se mantido no poder por tanto tempo”, avalia. O mesmo teria se repetido no governo Collor e, mais tarde, na mais recente campanha de Lula à Presidência da República. O mesmo setor, para ele, poderia então impulsionar a independência do país, tanto financeira quanto econômica e tecnológica.
Para ele, um dos exemplos da dependência brasileira é a atuação do capital espanhol em três setores importantes da economia – energia, bancos e telecomunicações. O grupo Telefônica/Portugal Telecom detém 47% do mercado de telefonia celular do país. “É o novo Tratado de Tordesilhas. O grupo possui 85 mil funcionários e cerca de 35 bilhões de euros investidos na América Latina”, contabiliza. Se ocorrer uma gripe em Madri, ironiza, por aqui teremos uma epidemia de tuberculose.
O Ciclo Internacional é coordenado pelo professor José Flávio Sombra Saraiva, chefe do INT, e tem como objetivo promover debates com temas de destaque da agenda mundial e da inserção do Brasil nesse contexto.
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