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Em junho de 2001, os repórteres João Domingos e Marcello Antunes, da sucursal de Brasília da Gazeta Mercantil publicaram uma análise das dificuldades do Planalto para encontrar interlocutor na base empresarial, sobretudo na CNI. O presidente licenciado da entidade, senador Fernando Bezerra (PTB-RN) havia deixado o Ministério da Integração Nacional com críticas ao presidente, depois de ter sido denunciado por supostas irregularidades na obtenção de verbas da Sudene para suas empresas. O presidente em exercício, deputado Moreira Ferreira (PFL-SP) postou-se ao lado da CUT na questão do pagamento da correção do FGTS. O vice-presidente, deputado Armando Monteiro (PMDB-PE), também jogou contra o governo ao lutar para impedir a aprovação da Lei das Sociedades Anônimas no formato defendido pelo Planalto. E acrescentam:
A ausência de interlocutores tem levado o presidente Fernando Henrique a chamar a Brasília, com certa freqüência, o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Stefan Salej, a segunda maior entidade que representa a indústria no País, para conversar sobre os rumos futuros da economia. E muitas vezes, da política.
Na opinião de Salej, políticos não podem lembrar dos empresários apenas durante as campanhas – quando fazem seus caixas – e os empresários, por sua vez, têm de buscar canais de discussão com os políticos para traçar planos e estratégias para o desenvolvimento futuro do País. Em suma, não devem ficar concentrados no imediatismo, apagando incêndios. “Temos de convencer os políticos de que o caos não é a melhor solução e que os empresários têm um papel importante a desempenhar”.
Gazeta Mercantil, 9/6/2001
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